quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

O Messias e o Cristo

     A compreensão do Messias (ou Mashiac) no cristianismo e no judaísmo messiânico é profundamente influenciada pela visão sobre a encarnação e a natureza do próprio Messias. No cristianismo, a ideia de que o Messias é Deus encarnado é fundamental. Os cristãos creem que Jesus (Yeshua) é o Messias, que se fez carne e habitou entre os homens. Para eles, o Messias não é apenas um líder humano descendente de Davi, mas Deus Filho, que se fez humano para trazer a salvação para a humanidade. A encarnação de Deus Filho é vista como um ato divino único, necessário para cumprir as profecias messiânicas, como o salvador prometido, que não apenas vem de Davi, mas é também plenamente divino e plenamente humano.

O Messias no Cristianismo: A Encarnação de Deus Filho

    No cristianismo, a encarnação é um evento central, conforme expresso em textos do Novo Testamento, como João 1:14, onde se afirma que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós". Essa doutrina ensina que o Messias, em sua natureza divina, escolheu assumir um corpo humano, sendo totalmente divino e totalmente humano ao mesmo tempo. A razão para isso é que, de acordo com a crença cristã, apenas Deus poderia oferecer a salvação perfeita, e para cumprir a lei e os sacrifícios, ele precisaria assumir uma forma humana. Dessa forma, Jesus, como Messias, cumpre todas as profecias que falam de um líder descendente de Davi, mas, ao mesmo tempo, ele é também o próprio Deus, que se faz presente na história humana para trazer redenção.

O Messias para os Judeus Messiânicos: Uma Existência Pré-Encarnada

    Já no judaísmo messiânico, que segue a visão cristã de que Jesus é o Messias, há uma compreensão similar da pré-existência do Messias, mas sem a ideia de que ele seria "Deus Filho" encarnado de forma literal. Para os judeus messiânicos, o Messias já existia antes de sua manifestação no mundo físico. Essa perspectiva se baseia na crença de que o Messias é uma entidade celestial que, em algum momento, se revela de forma tangível e humana. Ele não precisa de um corpo humano para existir, mas escolhe assumir um, como parte do plano divino de salvação. Essa visão está mais próxima da ideia de que o Messias é uma manifestação divina, não necessitando da encarnação de Deus em si, mas ainda assim vindo ao mundo para cumprir as profecias.

    O conceito de um Messias pré-existente, que já existia antes de sua manifestação física, está em consonância com certas interpretações do judaísmo, como a ideia de que o Messias tem uma origem celestial. A ideia de que o Messias existe antes de encarnar está ligada a algumas tradições cabalísticas, que veem o Messias como uma figura cósmica, com uma ligação profunda ao mundo espiritual.

A Visão Cabalística do Messias no Zohar

    No Zohar, um dos textos fundamentais da Cabala, o Messias é visto de forma bastante diferente daquela encontrada nas escrituras tradicionais. No Zohar, o Messias é descrito como uma figura pré-existente e espiritual, que desempenha um papel vital na restauração da harmonia cósmica e na redenção do mundo. Essa visão é em grande parte baseada em uma compreensão do Messias como uma entidade celestial que não depende de uma forma humana para existir ou cumprir sua missão.

No Zohar, há diversas passagens que fazem referência ao Messias, algumas das quais indicam sua natureza transcendente e seu papel eterno:

  1. Zohar 1:119a – O Zohar fala sobre o Messias como uma figura central no processo de redenção. Ele é descrito como o “Filho da Mulher” (referência a Isaías 7:14, que fala de uma virgem que conceberia um filho), simbolizando sua conexão com o mundo material e sua missão de restaurar a humanidade.

  2. Zohar 2:92b – Aqui, o Zohar afirma que o Messias tem uma origem celestial e está intimamente relacionado ao Eterno. Ele não é apenas uma figura humana, mas uma manifestação do divino que vem ao mundo para restaurar a harmonia do universo.

  3. Zohar 3:168b – O Zohar também fala sobre a chegada do Messias como uma chave para a redenção universal, onde o Messias é descrito como uma luz espiritual, capaz de trazer a salvação para o povo de Israel e para o mundo inteiro. Ele é descrito como a figura que “revela o segredo da criação” e, portanto, não é limitado a uma encarnação física simples.

Conclusão

    
Para os cristãos, o Messias é a encarnação de Deus Filho, que se faz humano para trazer salvação à humanidade, cumprindo as profecias messiânicas de ser descendente de Davi. Para os judeus messiânicos, embora haja um reconhecimento de que o Messias é da linhagem de Davi, há também a crença de que ele já existia antes de sua manifestação física, uma visão mais alinhada com o pensamento cabalístico, onde o Messias é entendido como uma figura celestial que se revela de maneira tangível para cumprir a redenção. Esse entendimento pode ser refletido em textos do Zohar, que enfatizam a natureza cósmica e pré-existente do Messias, destacando que ele é uma figura espiritual, com um papel transcendental que vai além de uma simples encarnação humana.

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