terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Estude a Bíblia conosco ao longo de um ano


 1º Trimestre: A Conquista de Canaã e a Aliança de YHWH

  1. Yehoshua 1:1-9A Promessa e o Comissionamento de Yehoshua (Josué)

    • A sucessão de Moshé (Moisés) e a confiança em YHWH para conquistar a terra prometida. A liderança e a obediência.
  2. Yehoshua 2:1-24Raabe e a Salvação para os Gentios

    • O papel de Raabe, uma gentia, na linhagem messiânica, e a inclusão dos gentios no plano de YHWH.
  3. Yehoshua 3:1-17A Travessia do Jordão

    • O papel da fé e da obediência na entrada na terra prometida e a renovação da aliança.
  4. Yehoshua 5:1-15A Páscoa na Terra Prometida

    • A renovação das práticas e da aliança de YHWH com Seu povo, incluindo o rito de circuncisão e a Páscoa.
  5. Yehoshua 6:1-27A Queda de Jericó

    • A obediência a YHWH traz a vitória sobre o inimigo. A importância da fé em YHWH para a conquista espiritual.
  6. Yehoshua 7:1-26O Pecado de Acã

    • A seriedade do pecado na comunidade de YHWH e a importância de manter a santidade.
  7. Yehoshua 8:1-29A Vitória sobre Ai

    • Como a fé e a estratégia de YHWH resultam em vitória. Lições sobre arrependimento e obediência.
  8. Yehoshua 9:1-27A Enganação dos Gibeonitas

    • O ensino sobre discernimento e a importância de buscar a orientação de YHWH.
  9. Yehoshua 10:1-15A Batalha Contra os Reis do Sul

    • O poder sobrenatural de YHWH para defender Seu povo e cumprir Suas promessas.
  10. Yehoshua 24:1-15A Renovação da Aliança em Siquém

    • O compromisso de seguir a YHWH, renovando a aliança com o povo de Israel.
  11. Juízes 2:16-23O Ciclo de Apostasia e Redenção

    • A história do ciclo de pecado, arrependimento e redenção, refletindo a necessidade da obediência a YHWH.
  12. Juízes 3:7-11O Juiz Otoniel

    • A primeira libertação de Israel sob um juiz, mostrando como YHWH levanta líderes para restaurar o povo.

2º Trimestre: Os Profetas e o Chamado à Obediência

  1. 1 Shemuel 8:4-22O Pedido de um Rei

    • O povo de Israel deseja um rei, em vez de confiar na liderança de YHWH. Como isso aponta para o Messias como Rei eterno.
  2. 1 Shemuel 16:1-13A Unção de Davi

    • A escolha de Davi como rei, representando o futuro Messias, que viria da linhagem de Davi.
  3. 2 Shemuel 7:8-16A Promessa do Reino Eterno a Davi

    • A aliança com Davi e a promessa de um descendente eterno. Esta promessa é cumprida em Yeshua, o Messias.
  4. 1 Reis 8:22-30A Oração de Shlomo

    • O pedido de sabedoria de Salomão e a dedicação do Templo, apontando para o templo espiritual em Yeshua.
  5. Yesha-Yahu 9:1-7O Príncipe da Paz

    • A profecia sobre o Messias que viria para estabelecer a paz e a justiça, cumprida em Yeshua.
  6. Yesha-Yahu 53O Servo Sofredor

    • A descrição do Messias que sofrerá pelos pecados do povo, claramente cumprida em Yeshua.
  7. Yirmi-Yahu 23:1-8O Justo Ramo de Davi

    • A promessa de um rei justo que viria da linhagem de Davi, cumprida em Yeshua como o Messias.
  8. Yehezkel (Ezequiel) 34:11-16O Bom Pastor

    • A promessa de que YHWH será o bom pastor que buscará e restaurará as Suas ovelhas perdidas, apontando para Yeshua como o bom pastor.
  9. Amós 9:11-15Restauração de Israel

    • A promessa de restauração para Israel, que será cumprida com a vinda do Messias e o Reino de Deus.
  10. Mikah-yahu (Miquéias) 5:2-5O Nascimento do Governante de Israel

    • A profecia sobre o nascimento do Messias em Belém, cumprida em Yeshua.
  11. Zekharyah (Zacarias) 9:9-10O Rei Justo e Humilde

    • A entrada triunfal de Yeshua em Jerusalém, cumprindo a profecia de Zekharyah .
  12. Mal'akhi (Malaquias) 3:1-5A Vinda do Mensageiro

    • A vinda de um mensageiro para preparar o caminho do Messias, cumprido por João Batista e Yeshua.

3º Trimestre: O Ministério de Yeshua

  1. Matit-Yahu (Mateus) 1:18-25O Nascimento de Yeshua

    • O cumprimento das profecias messiânicas, incluindo o nascimento virginal.
  2. Matit-Yahu 5:1-12As Bem-Aventuranças

    • O ensino de Yeshua sobre os valores do Reino de Deus, invertendo as expectativas humanas.
  3. Matit-Yahu 6:9-13O Pai Nosso

    • A oração modelo de Yeshua, com foco em uma relação íntima com o Pai e a vinda do Seu Reino.
  4. Matit-Yahu 10:16-39A Missão dos Discípulos

    • A missão evangelística dos discípulos, incluindo os desafios de ser um seguidor de Yeshua.
  5. Matit-Yahu 13:24-43Parábolas do Reino

    • Ensinos de Yeshua sobre o Reino de Deus e como ele se manifesta no mundo presente.
  6. Matit-Yahu 16:13-20A Confissão de Pedro

    • A revelação de Yeshua como o Messias, Filho do Deus vivo, e a fundação da comunidade messiânica.
  7. Matit-Yahu 17:1-9A Transfiguração de Yeshua

    • A revelação da glória divina de Yeshua, confirmando Sua identidade messiânica.
  8. Yochanan (João) 3:1-21O Novo Nascimento

    • O ensinamento sobre a necessidade de nascer de novo, espiritualmente, para ver o Reino de Deus.
  9. Yochanan 4:7-26A Mulher Samaritana

    • O encontro de Yeshua com a mulher samaritana e a revelação de Sua identidade messiânica.
  10. Yochanan 10:11-18O Bom Pastor

    • Yeshua se apresenta como o Bom Pastor, que dá a Sua vida pelas ovelhas.
  11. Yochanan 14:1-6O Caminho, a Verdade e a Vida

    • Yeshua como o único caminho para o Pai, a verdade e a vida eterna.
  12. Yochanan 20:19-29A Ressurreição de Yeshua

    • A prova de Sua ressurreição, e a declaração de fé de Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!"

4º Trimestre: A Missão da Igreja e a Esperança no Reino de Deus

  1. Atos 1:6-11A Ascensão de Yeshua

    • A ascensão de Yeshua ao céu, prometendo Seu retorno.
  2. Atos 2:1-4O Pentecostes

    • O envio do Espírito Santo para capacitar a Igreja (Kehilah) a cumprir a missão de Yeshua.
  3. Atos 9:1-19A Conversão de Saulo

    • A transformação de Saulo em Paulo, um apóstolo das nações, e o impacto do evangelho entre os gentios.
  4. Romanos 8:18-25A Esperança da Glória Futura

    • A esperança escatológica de ser parte do Reino de Deus, aguardando a manifestação da glória futura.
  5. 1 Coríntios 15:12-22A Ressurreição dos Mortos

    • A centralidade da ressurreição na fé cristã e a vitória sobre a morte.
  6. Filipenses 3:20-21A Transformação do Corpo

    • A promessa da transformação dos corpos, aguardando a vinda de Yeshua.
  7. Hebreus 12:1-2Correndo a Corrida da Fé

    • A perseverança na fé, fixando os olhos em Yeshua, autor e consumador da nossa fé.
  8. Yakov 5:7-11A Paciência até a Vinda do Senhor

    • A paciência em meio às dificuldades, esperando a vinda de Yeshua para estabelecer Seu Reino.
  9. Apocalipse 1:9-20A Visão de Yeshua Glorificado

    • A revelação de Yeshua como o Alfa e o Ômega, a esperança do futuro Reino.
  10. Apocalipse 5:1-14O Cordeiro que Recebe o Reino

    • A adoração a Yeshua como o Cordeiro digno de abrir o livro e trazer o juízo e a salvação.
  11. Apocalipse 19:11-16O Retorno Triunfal de Yeshua

    • A volta de Yeshua como Rei dos reis e Senhor dos senhores para estabelecer Seu Reino eterno.
  12. Apocalipse 21:1-8A Nova Jerusalém

    • A promessa de um novo céu e uma nova terra, com a habitação de Deus entre os homens.
  13. Apocalipse 22:1-5A Árvore da Vida

    • A restauração total e a visão da vida eterna no Reino de Deus.
  14. Apocalipse 22:6-21A Vinda de Yeshua

    • O convite à esperança no retorno de Yeshua, que trará a conclusão da história da redenção.
  15. Apocalipse 22:6-21 – A Vinda Iminente de Yeshua e a Promessa de Sua Retorno

    • A promessa do retorno de Yeshua, que virá em breve para restaurar todas as coisas.

  16.   2 Kefa 3:8-13 – A Nova Terra e o Reino Eterno

    • A esperança escatológica da nova terra e do novo céu, onde a justiça habitará.

A Lei e a União entre Judeus e Gentios: A Exegese do Novo Testamento

 A Lei e a União entre Judeus e Gentios: A Exegese do Novo Testamento

O Novo Testamento apresenta um equilíbrio entre a continuidade da Lei e a inclusão dos gentios na aliança de D-us, especialmente a partir da obra de Yeshua. Alguns textos, como Gálatas 3:28 e Efésios 2:14-16, falam sobre a remoção das barreiras entre judeus e gentios, mas isso não significa que a Torá foi abolida em sua totalidade. A questão central no Novo Testamento, principalmente nas cartas de Shaul (Paulo), é a maneira como a Lei é cumprida em Yeshua, e como a fé no Messias abre a porta para a reconciliação entre diferentes povos, sem anular as práticas e os princípios da Torá.

A Lei e a Unidade entre Judeus e Gentios

Em Gálatas 3:28, Shaul escreve: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um no Messias Yeshua.” Muitas vezes, esse versículo é mal interpretado, como se a identidade étnica ou de gênero fosse irrelevante após a fé em Yeshua, mas o contexto não sugere que a Torá ou a distinção entre judeus e gentios foi abolida. Pelo contrário, Shaul está abordando a questão das separações sociais e culturais que existiam na sociedade judaica e na relação com os gentios. A Torá, de fato, fazia distinção entre judeus e gentios em questões cerimoniais, como as leis de pureza, os rituais no templo e a proibição de contato direto com gentios em certos contextos.

No entanto, Shaul está dizendo que, no Messias, essas divisões que separavam judeus e gentios não têm mais efeito, pois ambos têm acesso à mesma promessa de salvação e vida eterna. A fé Nazarena, na verdade, não se baseia em uma nova religião separada do judaísmo, mas na continuidade e cumprimento da Torá em Yeshua. A fé em Yeshua, sendo o Messias prometido de Israel, é, na verdade, uma expressão mais profunda do judaísmo, e não algo contrário a ele. A fé no Messias e o judaísmo são, de fato, indivisíveis. A fé Nazarena, portanto, é uma continuidade do judaísmo, com a inclusão dos gentios na aliança de Deus, judeus sendo judeus e gentios sendo gentios, todos sendo crentes no Messias .

A união entre judeus e gentios é celebrada, mas sem a anulação das identidades ou da Lei. No entanto, os gentios precisam entender seu lugar no plano da salvação. Não se trata de substituir o povo judeu ou tentar apagar sua identidade ou papel no plano de D-us, como se agora fossem "os novos judeus". Essa visão é distorcida e desrespeitosa. No Messias, judeus e gentios são um, mas isso não implica que os gentios devam "gentilizar" os judeus ou tentar transformar o judaísmo em algo que se assemelha à sua própria cultura ou práticas. Cada povo tem sua identidade única, e os gentios precisam respeitar o lugar especial que Israel ocupa no plano divino, sem tentar apagar essa identidade.

Efésios 2:14-16 esclarece isso quando diz: “Pois ele é a nossa paz, que de ambos fez um, e derrubou a parede de separação, a hostilidade, abolindo na sua carne a lei dos mandamentos expressos em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz.” Nesse texto, Shaul refere-se à separação cerimonial que existia entre judeus e gentios, uma separação que estava enraizada em mandamentos cerimoniais, como as leis alimentares, as leis de pureza e a exclusão dos gentios do templo. O que Shaul afirma é que Yeshua, ao cumprir a Lei, destruiu essas barreiras, permitindo que gentios e judeus sejam reconciliados com D-us, e entre si, sem as distinções cerimoniais que antes existiam.

A abolição dessas barreiras cerimoniais não significa a abolição da Torá ou que a Lei não é mais relevante. Pelo contrário, o cumprimento dos mandamentos morais da Torá continua a ser um fundamento para a vida cristã, agora vivida pela graça e no Espírito, e não de acordo com as obras da carne.

O Batismo como Imersão: A Purificação e o Novo Pacto em Yeshua

Em relação ao batismo mencionado nos textos gregos, é fundamental entender que a palavra "batismo" é, na verdade, uma tradução do termo grego “báptisma”, que significa imersão ou mergulho. Essa prática tem raízes profundas no judaísmo, onde a imersão era usada como um rito de purificação. Na Torá e na tradição judaica, quando alguém estava impuro – seja por razões cerimoniais ou morais – era necessário passar por um processo de imersão, também conhecido como mikvá, para restaurar a pureza e a santidade diante de D-us.

O batismo de Yeshua não são uma invenção ou uma novidade no contexto religioso, mas uma continuação dessa prática judaica de purificação. A diferença crucial, no entanto, é que, em Yeshua, há somente uma imersão, que é suficiente para purificar o crente e estabelecer sua nova identidade como filho de D-us e membro do corpo do Messias.

O imersão de Yeshua não é uma repetição contínua de rituais de purificação, como acontecia antes de Yeshua e ainda acontece no judaísmo sem Yeshua, mas sim um ato simbólico e definitivo. No Messias, a imersão não é apenas um rito de purificação, mas uma identificação com a morte, sepultamento e ressurreição de Yeshua. Isso significa que, ao ser imerso, o crente não está apenas sendo purificado cerimonialmente, mas está sendo integrado ao novo pacto, em que a graça de D-us é derramada sobre ele, sem a necessidade de continuar a seguir alguns rituais cerimoniais do Antigo Testamento.

Hebreus 10:22 fala sobre isso, dizendo: "Aproximemo-nos de D-us com um coração sincero e com plena certeza de fé, tendo os corações purificados de uma má consciência e o corpo lavado com água pura." Aqui, a "água pura" se refere a uma imersão simbólica que representa a purificação total que ocorre no novo pacto por meio de Yeshua.

Portanto, o batismo, ou imersão, em Yeshua, não é algo a ser repetido para a purificação contínua, como nas práticas judaicas anteriores, mas um único ato que simboliza a total entrega ao Messias e a restauração completa da relação com D-us.

O Caso de Cornélio: A Lei que Divide os Gentios

Em Atos 10, vemos um evento crucial na história da Igreja primitiva: a visita de Kefa (Pedro) à casa de Cornélio, um centurião romano e gentio. Antes dessa visita, a Lei judaica proibia que judeus entrassem em casas de gentios, considerando-os impuros. Essa separação cerimonial é abordada diretamente quando, em uma visão, Kefa (Pedro) recebe uma mensagem divina dizendo: “Não chames impuro ao que Deus purificou.” (Atos 10:15). O que Kefa compreende nessa visão é que a barreira cerimonial que impedia os judeus de se associar aos gentios foi removida pela morte e ressurreição de Yeshua.

Isso não significa que a Torá foi abolida ou que os gentios agora deveriam deixar de seguir qualquer princípio moral que a Torá ensinava. Pelo contrário, a visão de Kefa revela que a Lei cerimonial, que distinguia judeus e gentios, foi cumprida no Messias, permitindo que os gentios fossem incluídos no pacto de salvação sem a necessidade de cumprir os rituais de purificação judaicos. O ponto central aqui não é a anulação da Torá, mas a remoção das barreiras cerimoniais que separavam os gentios dos judeus.

A Implicação de uma Interpretação Errada da Inclusão dos Gentios

Se interpretássemos Gálatas 3:28 e outros textos como se a identidade judaica tivesse sido anulada pela fé em Yeshua, poderíamos cair no erro de entender que qualquer distinção cultural ou identidade não seria mais relevante. Essa leitura poderia, inclusive, ser usada para justificar a eliminação de outras distinções morais e sociais, como a diferença entre homens e mulheres ou entre comportamentos morais e imorais, como o caso do homossexualismo. Contudo, isso seria uma interpretação equivocada do texto. Shaul, ao falar sobre a inexistência de judeu nem grego, homem ou mulher, não está dizendo que a Lei de Deus foi abolida ou que as identidades de gênero ou étnicas não importam mais, mas sim que a barreira social e cerimonial entre judeus e gentios foi quebrada no Messias. A fé em Yeshua unifica todos os crentes, independentemente de sua origem, e os torna participantes iguais nas promessas de D-us, mas isso não significa que as identidades culturais ou as normas morais da Torá foram descartadas.

A inclusão dos gentios, como evidenciado pelo exemplo de Cornélio e a visão de Kefa, mostra que os gentios são chamados a se integrar à aliança de D-us sem a necessidade de adotar todas as práticas cerimoniais exclusivas dos judeus. No entanto, isso não significa que eles não devem viver de acordo com os princípios morais da Torá, que continuam sendo a expressão da vontade de D-us para a humanidade.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

O Messias e o Cristo

     A compreensão do Messias (ou Mashiac) no cristianismo e no judaísmo messiânico é profundamente influenciada pela visão sobre a encarnação e a natureza do próprio Messias. No cristianismo, a ideia de que o Messias é Deus encarnado é fundamental. Os cristãos creem que Jesus (Yeshua) é o Messias, que se fez carne e habitou entre os homens. Para eles, o Messias não é apenas um líder humano descendente de Davi, mas Deus Filho, que se fez humano para trazer a salvação para a humanidade. A encarnação de Deus Filho é vista como um ato divino único, necessário para cumprir as profecias messiânicas, como o salvador prometido, que não apenas vem de Davi, mas é também plenamente divino e plenamente humano.

O Messias no Cristianismo: A Encarnação de Deus Filho

    No cristianismo, a encarnação é um evento central, conforme expresso em textos do Novo Testamento, como João 1:14, onde se afirma que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós". Essa doutrina ensina que o Messias, em sua natureza divina, escolheu assumir um corpo humano, sendo totalmente divino e totalmente humano ao mesmo tempo. A razão para isso é que, de acordo com a crença cristã, apenas Deus poderia oferecer a salvação perfeita, e para cumprir a lei e os sacrifícios, ele precisaria assumir uma forma humana. Dessa forma, Jesus, como Messias, cumpre todas as profecias que falam de um líder descendente de Davi, mas, ao mesmo tempo, ele é também o próprio Deus, que se faz presente na história humana para trazer redenção.

O Messias para os Judeus Messiânicos: Uma Existência Pré-Encarnada

    Já no judaísmo messiânico, que segue a visão cristã de que Jesus é o Messias, há uma compreensão similar da pré-existência do Messias, mas sem a ideia de que ele seria "Deus Filho" encarnado de forma literal. Para os judeus messiânicos, o Messias já existia antes de sua manifestação no mundo físico. Essa perspectiva se baseia na crença de que o Messias é uma entidade celestial que, em algum momento, se revela de forma tangível e humana. Ele não precisa de um corpo humano para existir, mas escolhe assumir um, como parte do plano divino de salvação. Essa visão está mais próxima da ideia de que o Messias é uma manifestação divina, não necessitando da encarnação de Deus em si, mas ainda assim vindo ao mundo para cumprir as profecias.

    O conceito de um Messias pré-existente, que já existia antes de sua manifestação física, está em consonância com certas interpretações do judaísmo, como a ideia de que o Messias tem uma origem celestial. A ideia de que o Messias existe antes de encarnar está ligada a algumas tradições cabalísticas, que veem o Messias como uma figura cósmica, com uma ligação profunda ao mundo espiritual.

A Visão Cabalística do Messias no Zohar

    No Zohar, um dos textos fundamentais da Cabala, o Messias é visto de forma bastante diferente daquela encontrada nas escrituras tradicionais. No Zohar, o Messias é descrito como uma figura pré-existente e espiritual, que desempenha um papel vital na restauração da harmonia cósmica e na redenção do mundo. Essa visão é em grande parte baseada em uma compreensão do Messias como uma entidade celestial que não depende de uma forma humana para existir ou cumprir sua missão.

No Zohar, há diversas passagens que fazem referência ao Messias, algumas das quais indicam sua natureza transcendente e seu papel eterno:

  1. Zohar 1:119a – O Zohar fala sobre o Messias como uma figura central no processo de redenção. Ele é descrito como o “Filho da Mulher” (referência a Isaías 7:14, que fala de uma virgem que conceberia um filho), simbolizando sua conexão com o mundo material e sua missão de restaurar a humanidade.

  2. Zohar 2:92b – Aqui, o Zohar afirma que o Messias tem uma origem celestial e está intimamente relacionado ao Eterno. Ele não é apenas uma figura humana, mas uma manifestação do divino que vem ao mundo para restaurar a harmonia do universo.

  3. Zohar 3:168b – O Zohar também fala sobre a chegada do Messias como uma chave para a redenção universal, onde o Messias é descrito como uma luz espiritual, capaz de trazer a salvação para o povo de Israel e para o mundo inteiro. Ele é descrito como a figura que “revela o segredo da criação” e, portanto, não é limitado a uma encarnação física simples.

Conclusão

    
Para os cristãos, o Messias é a encarnação de Deus Filho, que se faz humano para trazer salvação à humanidade, cumprindo as profecias messiânicas de ser descendente de Davi. Para os judeus messiânicos, embora haja um reconhecimento de que o Messias é da linhagem de Davi, há também a crença de que ele já existia antes de sua manifestação física, uma visão mais alinhada com o pensamento cabalístico, onde o Messias é entendido como uma figura celestial que se revela de maneira tangível para cumprir a redenção. Esse entendimento pode ser refletido em textos do Zohar, que enfatizam a natureza cósmica e pré-existente do Messias, destacando que ele é uma figura espiritual, com um papel transcendental que vai além de uma simples encarnação humana.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

A assimilação cultural que levou a crenca no messias, para a crença no deus filho, segunda pessoa da Trindade


 As pessoas precisam refletir sobre as profundas mudanças que ocorreram na fé no Mashiach desde sua origem humilde, nas terras de Israel, até sua expansão para o mundo gentio. Essa reflexão não busca desonrar o zelo de ninguém, mas trazer à luz um questionamento que é, ao mesmo tempo, histórico e espiritual.

O Mashiach, prometido nas Escrituras, veio como libertador de Israel, cumprindo as profecias e restaurando a esperança de um povo que aguardava redenção. Suas palavras e ações estavam enraizadas na Torá e nos ensinamentos dos profetas. No entanto, com o passar do tempo, a fé no Mashiach atravessou as fronteiras de Israel e adentrou o vasto Império Romano, onde sofreu transformações profundas, que afastaram muitas de suas características originais.

Observemos, pois, o que ocorreu. A fé no Mashiach, que era uma crença judaica, moldada pelos costumes e mandamentos de Israel, foi aos poucos adaptada aos costumes de povos que desconheciam a Torá e a tradição dos profetas. Ao invés de abraçar a riqueza das Escrituras hebraicas, houve uma substituição de práticas e ensinamentos. O Shabat, sinal da aliança de Deus com Israel, foi trocado pelo domingo. As festas bíblicas, que apontavam para os atos redentores do Criador, foram substituídas por celebrações que refletiam mais as tradições romanas do que os preceitos de Moisés.

Além disso, a figura do Mashiach foi transformada em "Cristo", um título helenístico que, embora legítimo em sua etimologia, foi revestido de significados que se distanciaram do contexto judaico. O conceito de um Messias que governaria com justiça e restauraria Israel foi alterado, tornando-se, em muitos casos, uma figura abstrata e desconectada das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.

Devemos, portanto, questionar: como uma fé profundamente judaica se tornou uma religião tão distinta de suas origens? Teria sido este um caso de sincretismo, onde os elementos da fé bíblica foram mesclados e, em alguns casos, suprimidos para se ajustar à cultura dominante do Império? E, ao fazer isso, não teria ocorrido uma espécie de colonização espiritual, onde a essência da mensagem foi substituída por tradições estranhas à Torá?

Estas perguntas não buscam dividir, mas sim trazer à consciência a necessidade de retornar às raízes da fé. Pois o Mashiach não veio para abolir a Torá ou os Profetas, mas para cumpri-los e, através disso, trazer luz às nações. Sua mensagem nunca foi de rejeição ao povo de Israel ou à sua aliança com Deus, mas de expansão dessa aliança, para que todos pudessem ser enxertados na oliveira espiritual.

Portanto, irmãos e irmãs, que possamos examinar as Escrituras e as tradições que recebemos. Que busquemos discernir o que vem do Criador e o que foi moldado por mãos humanas. Pois o verdadeiro Mashiach não precisa de aprovação de homens ou de instituições terrenas. Ele é aprovado pelo Pai, e sua missão é restaurar todas as coisas, começando pela casa de Israel.

Que a graça e a paz estejam convosco enquanto buscamos a verdade.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Yeshua e a Lei: O Que Significa 'Cumprir' e Sua Relevância para os Cristãos

 O texto de Mateus 5:17-19 é muitas vezes mal compreendido por aqueles que acreditam que Yeshua (Jesus) veio abolir a Lei (Torá) e que, ao "cumprir", Ele nos isentou de obedecer aos mandamentos. No entanto, uma análise cuidadosa do texto revela que essa interpretação não está de acordo com as palavras e o contexto do que Yeshua realmente disse.


Ele afirma:

"Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus." (Mateus 5:17-19)


Esmiuçando o texto:

1. “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas”

– Logo no início, Yeshua deixa claro que a ideia de que Ele veio abolir ou destruir a Lei é incorreta. Ele estava rebatendo qualquer ideia de que Seu ministério significava o fim da obediência à Lei.


2. “Não vim destruir, mas cumprir”

 – A palavra "cumprir" aqui não significa "abolir". No contexto hebraico, "cumprir" significa trazer à plenitude, dar o verdadeiro significado e demonstrar como a Lei deve ser observada corretamente. Yeshua cumpriu a Lei ao viver uma vida perfeita, sem pecado, em plena obediência à vontade de Deus. Ele mostrou o propósito espiritual e profundo da Lei.


3. “Até que o céu e a terra passem”

 – Esta parte é crucial. Yeshua está dizendo que a Lei tem validade **até que o céu e a terra passem**. Se olharmos ao redor, o céu e a terra ainda estão aqui, o que significa que a Lei permanece em vigor.


4. “Nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido”

 – O "jota" e o "til" são os menores detalhes das letras hebraicas. Isso significa que não apenas a Lei como um todo, mas até mesmo os menores aspectos dela, têm importância. Isso reforça que Yeshua não veio modificar ou abolir nenhum mandamento.


5. “Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos” 

– Yeshua adverte que aqueles que desobedecem até aos "menores" mandamentos e ensinam os outros a fazerem o mesmo serão considerados "menores no Reino dos Céus". Por outro lado, aqueles que guardam e ensinam os mandamentos serão chamados "grandes no Reino dos Céus".


A questão do "cumprir tudo":

Muitos que dizem que Yeshua "cumpriu a Lei" argumentam que, por Ele ter cumprido, não precisamos mais guardá-la. No entanto, Yeshua não disse que Ele cumpriu 'toda a Lei' naquele momento. Na verdade, ao dizer "até que tudo se cumpra", Ele admite indiretamente que 'nem tudo foi cumprido naquele momento'. Ele próprio reconhece que haverá um tempo futuro em que 'tudo será cumprido, mas até lá, 'a Lei deve ser observada'.

Além disso, Ele enfatiza que a Lei permanecerá 'até que o céu e a terra passem', o que implica que a aplicação da Lei está vinculada ao tempo em que a ordem presente deste mundo permanece. O fato de que a criação ainda existe nos diz que 'a Lei continua em vigor'.


 Reflexão sobre a graça e a Lei:

Os cristãos, em especial aqueles de origem protestante e católica, frequentemente afirmam que estamos "debaixo da graça" e não "debaixo da Lei". Embora seja verdade que a graça de Deus nos salva, isso não significa que a Lei foi abolida. Na realidade, os mandamentos de Yeshua e dos apóstolos no Novo Testamento são 'leis'. A palavra "Lei" em si carrega uma conotação negativa para muitos cristãos, mas o Novo Testamento está cheio de mandamentos que são, na essência, "leis".

Quando Yeshua disse: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14:15), Ele estava reafirmando a importância da obediência. Se guardamos os Seus mandamentos, guardamos a Lei, pois os mandamentos são a própria expressão da vontade de Deus.

Paulo, em Romanos 2:13, afirma claramente:

 "Pois não são os que ouvem a Lei que são justos aos olhos de Deus, mas os que a praticam é que serão justificados."


Em Apocalipse 14:12, lemos:

"Aqui está a perseverança dos santos, aqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Yeshua."

A ideia de que a graça anula a Lei não tem suporte nas Escrituras. Em Romanos 3:31, Paulo deixa claro:

 "Anulamos, pois, a Lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, confirmamos a Lei."


A Lei no Novo Testamento:

Aqui estão exemplos de mandamentos no Novo Testamento que se conectam diretamente com a Lei do Antigo Testamento:

1. Amar a Deus com todo o coração (Mateus 22:37) – Deuteronômio 6:5

2. Amar ao próximo como a si mesmo (Mateus 22:39) – Levítico 19:18

3. Honrar pai e mãe (Mateus 19:19) – Êxodo 20:12

4. Não matar (Mateus 19:18) – Êxodo 20:13

5. Não adulterar (Mateus 19:18) – Êxodo 20:14

6. Não furtar (Mateus 19:18) – Êxodo 20:15

7. Não dar falso testemunho (Mateus 19:18) – Êxodo 20:16

8. Não cobiçar (Romanos 7:7) – Êxodo 20:17

9. Guardar o sábado (Mateus 24:20) – Êxodo 20:8

10. Não fazer juramentos falsos (Mateus 5:33) – Levítico 19:12

11. Não se divorciar exceto por infidelidade (Mateus 5:32) – Deuteronômio 24:1-4

12. Perdoar o próximo (Mateus 6:14-15) – Levítico 19:17-18

13. Restituir o que foi tomado injustamente*/ (Lucas 19:8) – Levítico 6:1-5

14. Ser generoso com os pobres (Lucas 12:33) – Deuteronômio 15:7-8

15. Amar os inimigos (Mateus 5:44) – Provérbios 25:21-22

16. Não fazer acepção de pessoas (Tiago 2:1-9) – Levítico 19:15

17. Afastar-se da imoralidade sexual (1 Coríntios 6:18) – Levítico 18

18. Não ser glutão ou beberrão (Lucas 21:34) – Deuteronômio 21:20

19. Observar o jejum (Mateus 6:16-18) – Isaías 58

20. Cuidar dos órfãos e viúvas (Tiago 1:27) – Deuteronômio 24:17-21


Esses são apenas alguns dos mandamentos no Novo Testamento que têm suas raízes na Lei do Antigo Testamento. Se alguém está obedecendo a esses mandamentos, está, na verdade, guardando a Lei.

Portanto, precisamos entender que a graça não anula a Lei. Pelo contrário, a graça nos capacita a viver em obediência à Lei de Deus, não como meio de salvação, mas como expressão de nossa fé e amor a Ele. Como Paulo diz em Romanos 6:15:

"Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma!"

A Falácia da Graça sem Obediência: O Cristão e a Necessidade de Guardar os Mandamentos

 Amados, escrevo hoje para tratar de um assunto de extrema importância em nossa comunidade: a compreensão equivocada da Graça e a negligência em seguir os mandamentos de Deus. Muitos, baseados em uma má interpretação dos escritos de Paulo e dos ensinamentos de Yeshua, têm adotado a ideia de que apenas crer no Senhor Jesus é suficiente para garantir a salvação, sem a necessidade de obediência aos mandamentos. No entanto, esta é uma distorção grave das Escrituras.

A Graça que nos foi dada por meio de Yeshua não elimina a nossa responsabilidade de obedecer à Lei. Paulo, em sua epístola aos Romanos, deixa claro: “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma!” (Romanos 6:15). A Graça não nos dá licença para viver em desobediência; ao contrário, ela nos convida a uma vida de santidade e de comprometimento com os preceitos divinos. O próprio Yeshua, ao afirmar que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la, advertiu que nenhum jota ou til passará da Lei até que tudo se cumpra (Mateus 5:17-19). Ele não veio para liberar o homem da observância da Lei, mas para ensiná-lo a vivê-la plenamente.

Contudo, em muitos lugares, ser cristão tem se resumido a evitar a fornicação, o adultério e a idolatria, enquanto outros mandamentos são completamente ignorados. O Novo Testamento nos ensina que a religião verdadeira inclui o cuidado com os órfãos e as viúvas em suas aflições (Tiago 1:27). No entanto, há um abandono dessa responsabilidade, e as igrejas muitas vezes negligenciam o cuidado com os necessitados, algo que as Escrituras claramente nos instruem a fazer.

Além disso, em Atos 15:20, os apóstolos instruíram os gentios a se abster de coisas contaminadas por ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue. Porém, muitos hoje ignoram esses mandamentos e continuam a consumir sangue em pratos como o chouriço e carne ao molho pardo, desconsiderando uma proibição clara e presente no próprio Novo Testamento. A abstenção de práticas imorais como a fornicação e o adultério é igualmente negligenciada, mesmo com as advertências de Paulo para que fujamos dessas imoralidades (1 Coríntios 6:18).

O que vemos, então, é que muitos se abstêm não daquilo que as Escrituras proíbem, mas da própria obediência a elas. Essa mentalidade de abster-se de obedecer é uma das grandes falhas de nossos dias. Ao invés de se submeterem ao que o Novo Testamento exige, muitos cristãos preferem uma versão diluída da fé, ignorando que o verdadeiro compromisso com Deus exige obediência aos Seus mandamentos.

As Escrituras são claras: Paulo afirma que não são justificados aqueles que apenas ouvem a Lei, mas sim os que a praticam (Romanos 2:13). Tiago também nos adverte que devemos ser praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, enganando-nos a nós mesmos (Tiago 1:22). Os que ouvem e não praticam estão vivendo um cristianismo sem propósito, sem compromisso com a verdade de Deus.

Em Apocalipse 14:12, lemos que a perseverança dos santos consiste em guardar os mandamentos de Deus e a fé em Yeshua. A obediência é, portanto, uma marca clara daqueles que perseveram e herdarão o Reino vindouro. E João nos lembra que “o pecado é a transgressão da Lei” (1 João 3:4). Se desejamos evitar o pecado, devemos evitar transgredir os mandamentos de Deus.

Amados, Yeshua foi claro ao afirmar: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14:15). Este é o verdadeiro amor por Deus — não apenas em palavras, mas em ações, obedecendo ao que Ele nos ordenou. Aqueles que ignoram os mandamentos, que pregam um cristianismo sem compromisso com a Lei e que justificam seu descaso pela Graça, estão caminhando por um caminho perigoso.

Portanto, exorto-vos: vivam não apenas de acordo com a fé em Yeshua, mas também em obediência aos mandamentos que Ele e os apóstolos nos deixaram. A fé sem obras é morta (Tiago 2:17), e sem a prática da Lei, não há verdadeira santidade. Que sejamos aqueles que perseveram, guardando os mandamentos de Deus e a fé em Yeshua, e que nossa fé seja demonstrada através da nossa obediência.

A Fé sem a Lei: O Engano da Graça sem Compromisso

Reflexões sobre a Lei, a Graça e a Verdadeira Obediência


Amados. Nos tempos modernos, percebo com preocupação que muitos se desviam do caminho que nos foi traçado nas Escrituras, especialmente em relação à compreensão da Lei e da Graça. As Escrituras, como revelações divinas, nos orientam não apenas sobre a fé, mas também sobre a prática da obediência aos mandamentos de Deus. Infelizmente, muitas igrejas contemporâneas têm promovido uma interpretação da Graça que parece desvalorizar a Lei, levando muitos a crer que a obediência não é mais necessária.


A Lei e o Cumprimento das Escrituras

Yeshua, nosso Senhor, deixou claro que não veio abolir a Lei ou os Profetas, mas para cumprir. Em Mateus 5:17-18, Ele afirma que "até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til passará da Lei". Essa declaração nos lembra que a Lei permanece válida e que devemos estar atentos a isso. A graça que recebemos não é um convite à desobediência, mas uma capacitação para vivermos conforme os mandamentos divinos.

Com isso em mente, eu me pergunto: como podemos afirmar que a Lei foi anulada quando a própria vida e ensinamentos de Yeshua confirmam sua validade? A verdade é que, enquanto muitos buscam uma "salvação fácil" que se desvincula da Lei, a Escritura nos ensina que a verdadeira fé é acompanhada de obras. Tiago, por exemplo, nos lembra que "a fé sem obras é morta" (Tiago 2:26) e que devemos ser "praticantes da palavra, e não somente ouvintes" (Tiago 1:22). Essa mensagem é um apelo à ação, à obediência, que muitos parecem ter esquecido.


A Decisão de Atos 15 e os Mandamentos

Na reunião dos apóstolos em Atos 15, foi decidido que os gentios deveriam seguir algumas instruções básicas: abster-se das coisas sacrificadas aos ídolos, da fornicação, da carne sufocada e do sangue (Atos 15:20). Porém, essa decisão não implicava que a Lei de Moisés tivesse sido anulada. Os líderes da igreja reconheceram que Moisés já era pregado em todas as sinagogas a cada sábado (Atos 15:21), indicando que os gentios aprenderiam a Lei de forma gradual. Portanto, os quatro mandamentos dados eram um ponto de partida, não um fim em si mesmos.

Essa distinção é essencial, pois mostra que a prática da Lei não era apenas uma exigência para os judeus, mas um caminho para todos aqueles que desejam se aproximar de Deus. É necessário que, ao aceitarmos a graça, também abracemos a responsabilidade de viver de acordo com a Palavra.


A Falsa Segurança da Igreja Moderna

Percebo que muitas igrejas hoje ensinam um cristianismo sem compromisso, onde a ideia de ser cristão se resume a evitar algumas práticas como fornicação e idolatria. No entanto, não podemos nos enganar: a vida cristã é mais do que simplesmente evitar o pecado; é uma chamada à ação. Precisamos praticar o que a Escritura nos ensina, incluindo o cuidado com os necessitados, a busca pela justiça e a verdadeira adoração ao nosso Deus.É

 alarmante que muitos, em nome da liberdade em Cristo, se afastem dos mandamentos claros da Palavra. Há um chamado para que os cristãos pratiquem o que foi ordenado: cuidar dos órfãos, das viúvas e dos necessitados (Tiago 1:27), abster-se do sangue e da fornicação, e, principalmente, não quebrar a Lei. Essa é a essência da verdadeira obediência.


A Separação entre a Fé no Messias e a Lei

Outro ponto que me preocupa é a separação que se iniciou com figuras como Inácio de Antioquia, que propuseram uma distinção entre a fé no Messias e a religião judaica. Isso é, de fato, um engano. É impossível crer no Messias sem também reconhecer a validade da Lei que trouxe as profecias sobre Ele. Rejeitar a Torá é rejeitar a revelação do próprio Deus.


A Necessidade de Voltarmos à Verdadeira Obediência

Portanto, irmãos e irmãs, conclamo-vos a voltar ao caminho da verdadeira obediência. A graça que recebemos não nos isenta de seguir a Lei de Deus, mas nos capacita a viver de acordo com ela. Não podemos nos permitir ser levados por doutrinas que nos afastam do compromisso que devemos ter com a Palavra. 

Como disse Yeshua, "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama" (João 14:21). Portanto, que possamos ser praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, vivendo em obediência e buscando sempre a vontade do nosso Pai. A verdadeira fé é aquela que se expressa em ações, em amor e em obediência aos mandamentos do nosso Deus. Que assim seja!

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Manual da Comunidade Nazarena

1. Introdução

Este manual é um guia para a vida diária da comunidade nazarena, fundamentando-se em práticas espirituais, tradições e ensinamentos bíblicos. O objetivo é proporcionar uma base sólida para a adoração, comunhão e crescimento espiritual dentro da comunidade.


2. Orações Diárias

Importância da Oração

A oração é um pilar fundamental da vida nazarena, sendo a maneira pela qual nos comunicamos com Deus. A Bíblia nos ensina a orar em todas as circunstâncias (1 Tessalonicenses 5:17).

    A bíblia nos ensina que devemos orar três vezes ao dia.

    Salmo 55:17: "À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei a minha queixa e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz."

  • Manhã: Começar o dia com uma oração de gratidão e consagração. Um exemplo é Salmos 5:3: "Pela manhã, Senhor, ouves a minha voz; pela manhã te apresento a minha oração e aguardo com expectativa."

  • Tarde: Um momento para interceder por outras pessoas e refletir sobre a Palavra. Tiago 5:16 nos encoraja a orar uns pelos outros.

  • Noite: Finalizar o dia com agradecimentos e uma oração de confissão, como é visto em Salmos 4:8.

3. Jejuns

Jejum de Segunda e Quinta

Os jejuns são momentos dedicados ao arrependimento e à busca de Deus.

  • Duração: Geralmente, do amanhecer até o pôr do sol.

  • Propósito: Refletir sobre nossas vidas, buscar a vontade de Deus e interceder por outros (Isaías 58:6-7).

  • Referências:

    • O Talmud menciona a importância do jejum para a purificação da alma e a busca de uma conexão mais profunda com Deus. (Talmud, Yoma 20a)
    • Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.): Em seus escritos, ele menciona a prática de jejuar nas segundas e quintas-feiras, uma tradição que os nazarenos e outras comunidades judaico-cristãs seguiam. O jejum era visto como uma forma de penitência e preparação espiritual.

4. Alimentação

Princípios Dietéticos

Os princípios de alimentação são fundamentais para a saúde e a pureza espiritual da comunidade.

  • Alimentos Permitidos: Aqueles que são considerados limpos, conforme Levítico 11:3-20.

  • Alimentos Proibidos: Animais que não atendem aos critérios de pureza (Levítico 11:7-8).

Referências
  • Epifânio de Salamina

    • Em sua obra Panarion, escrita no século IV, Epifânio descreve os nazarenos como aqueles que mantinham práticas judaicas, incluindo a observância das leis alimentares. Ele destaca que eles não comiam carne de porco e respeitavam outras proibições alimentares da Torá.
    • Jerônimo de Estridão

      • O escritor e teólogo Jerônimo, em suas obras, também fez referência ao fato de que alguns grupos, incluindo os nazarenos, observavam as leis de kashrut. Ele notou que essas práticas eram parte da herança cultural e religiosa dos seguidores de Yeshua.

Bênçãos sobre a Comida

A prática de bênçãos antes e depois das refeições é uma maneira de expressar gratidão.

  • Antes da Refeição: "Bendito sejas Tu, Senhor nosso Deus, Rei do universo, que trazes pão da terra" (1 Timóteo 4:4-5).

  • Depois da Refeição: Agradecer a Deus pela provisão, como ensinado em Deuteronômio 8:10.
Referências
  • Epifânio de Salamina (c. 310-403 d.C.): Em sua obra Panarion, Epifânio faz referência aos nazarenos e à sua prática de seguir a Lei de Moisés. Embora ele não entre em muitos detalhes sobre as bênçãos específicas sobre os alimentos, ele implica que os nazarenos mantinham as tradições judaicas, que incluíam a recitação de bênçãos antes e após as refeições. Isso reflete a prática judaica tradicional de agradecer a Deus pela comida.

5. Cultos e Reuniões

Dia de Descanso (Sábado)

A observância do sábado é um tempo sagrado dedicado ao descanso e à adoração.

  • Serviço: As reuniões podem incluir leitura da Escritura e adoração em comunidade (Êxodo 20:8-11).
Referência

  • Epifânio de Salamina
    • Epifânio, um dos pais da Igreja, escreveu sobre os nazarenos em sua obra "Panarion" (ou "Contra as Heresias"). Ele descreveu como os nazarenos observavam o sábado, mantendo as tradições judaicas.

Feriados e Dias Santos

Os feriados bíblicos são momentos especiais para reflexão e celebração.

  • Páscoa: Celebra a libertação do Egito e pode incluir a refeição do Seder (Êxodo 12).

  • Pentecostes: Marca a entrega da Lei e a descida do Espírito Santo (Atos 2:1-4).

Referências

1. Páscoa (Pesach)

  • Irineu de Lyon (c. 130-202 d.C.): Em suas obras, ele fez referências à celebração da Páscoa pelos cristãos, que incluía o contexto da Páscoa judaica, e mencionou que os nazarenos celebravam essas festividades, observando a conexão entre a Páscoa judaica e a ressurreição de Yeshua.

2. Festa das Semanas (Shavuot)

  • Epifânio de Salamina (c. 310-403 d.C.): Ele descreveu a prática dos nazarenos de celebrar a Festa das Semanas, que ocorre 50 dias após a Páscoa, como parte de suas observâncias judaicas.

3. Festa das Trombetas (Rosh Hashaná) e Yom Kipur

  • Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.): Embora não tenha mencionado diretamente, seus escritos refletem a importância dos dias de jejum e arrependimento, que estão associados a essas festividades. As práticas de jejum e arrependimento nas festividades judaicas eram seguidas pelos nazarenos.

4. Festa das Cabanas (Sukot)

  • Epifânio de Salamina: Também fez referência à observância da Festa das Cabanas pelos nazarenos, enfatizando a continuidade das tradições judaicas em suas práticas.

5. Festas de Purim e Hanukkah

  • Embora menos frequentemente mencionadas, é sabido que algumas comunidades judaico-cristãs, incluindo os nazarenos, também comemoravam essas festas, refletindo sua herança judaica.

Testemunhos de Pais da Igreja

  1. Epifânio de Salamina: Em sua obra Panarion, Epifânio descreve os nazarenos e menciona que eles mantinham as leis e festivais judaicos, assim como a prática da circuncisão.

  2. Tertuliano: Em Adversus Judaeos, ele discutiu as práticas dos judeus e mencionou que os cristãos do primeiro século, incluindo os nazarenos, ainda observavam festividades judaicas, embora em um novo contexto.

  3. Clemente de Alexandria: Ele fez referências às festividades judaicas, enfatizando sua importância, e como as observâncias se conectavam com os ensinamentos de Yeshua.

6. Casamentos

Cerimônia de Casamento

Os casamentos devem refletir princípios de amor e compromisso.

  • Cerimônia: Incluir bênçãos e leituras bíblicas sobre o amor (1 Coríntios 13:4-7).

Festividades do Casamento

  • As celebrações devem ser momentos de alegria e comunhão, respeitando os princípios alimentares.

7. Enterros

Preparação e Enterro

O respeito pelos mortos é uma prática sagrada.

  • Preparação do Corpo: Tratar o corpo com dignidade (Eclesiastes 3:1-2).

  • Luto: Respeitar o período de luto e consolar aqueles que estão de luto (Romanos 12:15).

8. Rituais Diários

Purificação

A purificação espiritual é importante para manter a relação com Deus.

  • Rituais de Purificação: Envolver-se em orações e confissões diárias (Tiago 4:8).

  • Separação de Massa: Ao preparar pão, separar uma parte como oferta (Números 15:20-21).

9. Reflexão e Comunidade

A vida em comunidade é baseada no amor e na ajuda mútua (Romanos 13:10).

  • Atividades Comunitárias: Incentivar o serviço ao próximo e a ajuda aos necessitados (Mateus 25:35-40).

A Ruptura do Cristianismo com Suas Raízes Judaicas 

O cristianismo, ao longo dos séculos, passou por mudanças significativas que distanciaram suas práticas e doutrinas das raízes judaico-messiânicas do primeiro século. Vários concílios e documentos eclesiásticos foram fundamentais nesse processo de ruptura com o judaísmo. A seguir, estão enumerados alguns dos concílios e documentos que marcaram essa trajetória, incluindo proibições específicas contra as práticas judaicas pelos cristãos:


  1. Concílio de Jerusalém (49-50 d.C.) – O primeiro grande concílio, registrado no Novo Testamento (Atos 15), discutiu a necessidade dos gentios convertidos seguirem a Lei de Moisés. Embora tenha decidido não impor a circuncisão aos gentios, o concílio assumiu que eles aprenderiam a Lei nas sinagogas, onde Moisés era ensinado. Este concílio marcou o início do debate sobre a relação entre os gentios e a Torá.

  2. Concílio de Elvira (305 d.C.) – Este concílio, realizado na Espanha, foi um dos primeiros a proibir especificamente as interações entre cristãos e judeus. O Cânon 16 de Elvira proíbe o casamento entre cristãos e judeus, e o Cânon 49 proíbe que os cristãos abençoem os campos de seus vizinhos judeus.

  3. Concílio de Nicéia (325 d.C.) – Liderado pelo imperador Constantino, este concílio foi crucial para o distanciamento do cristianismo de suas raízes judaicas. Ele decidiu que a Páscoa cristã não deveria coincidir com a Pessach judaica. A Páscoa foi dissociada do calendário bíblico, estabelecendo uma celebração independente que foi fundamental para romper com as práticas judaicas.

  4. Concílio de Antioquia (341 d.C.) – Este concílio também condenou as práticas judaicas entre os cristãos. O Cânon 1 de Antioquia proíbe que cristãos observem o Shabat judaico ou aceitem festividades judaicas.

  5. Concílio de Laodiceia (363-364 d.C.) – Um marco importante, pois o Cânon 29 proibia os cristãos de "judaizar", ou seja, de descansar no sábado, e determinava o domingo como o dia oficial de descanso. Esse concílio foi uma das primeiras legislações explícitas contra a observância do Shabat.

  6. Didascália Apostolorum (século III) – Um dos documentos mais antigos da tradição cristã, a Didascália Apostolorum instrui os cristãos a não observarem o Shabat e as festas judaicas. Esse texto influenciou significativamente a teologia anti-judaica dentro do cristianismo primitivo, estabelecendo uma separação cultural e teológica.

  7. Concílio de Clermont (535 d.C.) – Este concílio reafirmou as proibições anteriores, ordenando que os cristãos não participassem de festas judaicas e impedindo a convivência entre cristãos e judeus.

  8. Concílio de Toledo (589 d.C.) – Na Espanha visigótica, o Concílio de Toledo reforçou a proibição da observância de práticas judaicas pelos cristãos e determinou punições severas para os que se convertessem ao judaísmo ou adotassem suas práticas.

  9. Concílio de In Trullo (692 d.C.) – Também conhecido como o Concílio Quinisexto, este concílio reafirmou a condenação da "judaização" e proibiu a celebração de Pessach junto com a Páscoa judaica.

  10. Concílio de Niceia II (787 d.C.) – Embora focado em questões iconoclastas, este concílio reafirmou a proibição de cristãos observarem o Shabat ou se envolverem em práticas judaicas.

  11. Bula "Sicut Judaeis" (Papa Calixto II, 1120 d.C.) – Embora esse documento tenha sido emitido para proteger os judeus de perseguições físicas, ele também reforçava a distinção entre cristãos e judeus, proibindo a conversão dos cristãos ao judaísmo.

  12. Bula "Cum Nimis Absurdum" (Papa Paulo IV, 1555 d.C.) – Este decreto não só restringiu os direitos dos judeus, como também fortaleceu a segregação cultural e religiosa entre cristãos e judeus. Judeus foram forçados a viver em guetos e proibidos de praticar sua fé livremente em territórios cristãos.

Martinho Lutero e o Antissemitismo

Embora Martinho Lutero inicialmente fosse favorável à conversão dos judeus ao cristianismo, suas opiniões mudaram drasticamente mais tarde. Em sua obra "Sobre os judeus e suas mentiras" (1543), Lutero adotou uma postura extremamente antijudaica, defendendo a queima de sinagogas, a destruição de livros sagrados e a expulsão dos judeus das cidades cristãs. Lutero contribuiu para o afastamento entre o cristianismo e o judaísmo, mantendo a teologia de separação entre cristãos e práticas judaicas.

Reflexões Finais

Com o passar dos séculos, o cristianismo institucionalizado, tanto na Igreja Católica quanto nas denominações protestantes, distanciou-se de suas raízes judaicas. A Igreja Católica, como predito em Daniel 7:25, "mudou os tempos e as leis", alterando dias sagrados e práticas centrais. Os protestantes, embora rompessem com o catolicismo em vários pontos doutrinários, mantiveram muitas dessas mudanças, incluindo o domingo como dia de descanso e a celebração de festas não bíblicas.

O judaísmo messiânico, por outro lado, preserva as práticas do cristianismo do primeiro século, honrando tanto Yeshua como Messias quanto as tradições da Torá. O chamado hoje é para que o cristianismo volte às suas raízes, ao primeiro amor, e se lembre de onde caiu (Apocalipse 2:4-5), restaurando a fé conforme ensinada pelos primeiros seguidores de Yeshua.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

 

Ética da Igreja do Caminho


Capítulo 1: Amor e Devoção a Deus

  1. Amar a Deus
    Referência: Deuteronômio 6:5 - "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força."

  2. Lealdade Exclusiva
    Referência: Êxodo 20:3 - "Não terás outros deuses diante de mim."

  3. Obediência aos Mandamentos
    Referência: João 14:15 - "Se me amais, guardareis os meus mandamentos."

  4. Santidade e Reverência
    Referência: Levítico 19:2 - "Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo."


Capítulo 2: Amor ao Próximo e Justiça

  1. Amar o Próximo
    Referência: Levítico 19:18 - "Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor."

  2. Justiça e Equidade
    Referência: Miquéias 6:8 - "Ele te declarou, ó homem, o que é bom, e que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, que ames a misericórdia e que andes humildemente com o teu Deus."

  3. Perdão e Reconciliamento
    Referência: Mateus 6:14-15 - "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas."

  4. Generosidade e Ajuda aos Necessitados
    Referência: Provérbios 19:17 - "Quem se compadece do pobre empresta ao Senhor, e este lhe dará o pagamento."


Capítulo 3: Pureza e Moralidade

  1. Pureza de Coração
    Referência: Mateus 5:8 - "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus."

  2. Fuga da Imoralidade
    Referência: 1 Coríntios 6:18 - "Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que o homem cometer é fora do corpo; mas aquele que se prostitui peca contra o próprio corpo."

  3. Honestidade e Integridade
    Referência: Provérbios 12:22 - "Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que praticam a verdade são o seu deleite."

  4. Vigilância e Sobriedade
    Referência: 1 Pedro 5:8 - "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar."


Capítulo 4: Relações Familiares e Vida Comunitária

  1. Honra aos Pais
    Referência: Êxodo 20:12 - "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá."

  2. Educação dos Filhos
    Referência: Provérbios 22:6 - "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."

  3. Amor Conjugal
    Referência: Efésios 5:25 - "Vós, maridos, amai vossas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela."

  4. Obediência e Respeito dos Filhos
    Referência: Colossenses 3:20 - "Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isso é agradável ao Senhor."

  5. Trato Justo com as Esposas
    Referência: 1 Pedro 3:7 - "Igualmente vós, maridos, vivei a vida comum, com discernimento, dando honra à mulher como vaso mais frágil, e como coerdeira da graça da vida, para que não sejam interrompidas as vossas orações."


Capítulo 5: Conduta Pessoal e Espiritualidade

  1. Alegria e Gratidão
    Referência: Filipenses 4:4 - "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos."

  2. Paciência e Perseverança
    Referência: Tiago 5:8 - "Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima."

  3. Prática da Justiça
    Referência: Isaías 1:17 - "Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, corrigir o opressor, fazei justiça ao órfão, pleiteai a causa da viúva."

  4. Confiança em Deus
    Referência: Provérbios 3:5-6 - "Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas."


Capítulo 6: Comportamento Social e Comunitário

  1. A Mulher Rixosa
    Referência: Provérbios 21:9 - "Melhor é viver num canto de terra árido do que com a mulher rixosa numa casa ampla."

  2. A Fofoca e a Língua
    Referência: Provérbios 11:13 - "O que anda em bisbilhotices revela segredo, mas o fiel de espírito o encobre."

  3. A Pessoa Sábia e a Insensata
    Referência: Provérbios 14:1 - "Toda mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata a derruba com suas próprias mãos."

  4. Tratamento dos Estrangeiros
    Referência: Levítico 19:34 - "O estrangeiro que peregrina convosco será como o natural de vós mesmos; amarás como a ti mesmo o estrangeiro que peregrina contigo, porque fostes estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus."

  5. Amor aos Estrangeiros
    Referência: Deuteronômio 10:19 - "Amareis, pois, o estrangeiro; pois fostes estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus."


Capítulo 7: Relacionamentos e Comportamento Social

  1. Tratamento dos Outros
    Referência: Mateus 7:12 - "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas."

  2. Não Julgar
    Referência: Mateus 7:1 - "Não julgueis, para que não sejais julgados."

  3. Misericórdia e Amor
    Referência: Lucas 6:36 - "Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai."

  4. Humildade e Servidão
    Referência: Filipenses 2:3-4 - "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros."


Capítulo 8: Disciplina e Correção

  1. Disciplina dos Filhos
    Referência: Provérbios 13:24 - "Quem retém a vara odeia seu filho, mas quem o ama, desde cedo o castiga."

  2. Correção com Amor
    Referência: Hebreus 12:6 - "Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe."

  3. Busca por Sabedoria
    Referência: Provérbios 4:7 - "A sabedoria é a principal coisa; adquire, pois, a sabedoria; e com todos os teus bens adquire o entendimento."

Capítulo 9: Integridade e Honestidade (Continuação)

  1. Integridade nos Negócios
    Referência: Provérbios 16:11 - "O peso e a balança justos pertencem ao Senhor; as obras suas são estabelecidas por ele."

  2. Veracidade na Palavra
    Referência: Efésios 4:25 - "Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros."

  3. Evitar Suborno e Corrupção
    Referência: Êxodo 23:8 - "Nem aceitarás suborno, porque o suborno cega os que têm visão e perverte as palavras dos justos."


Capítulo 10: Responsabilidade e Trabalho

  1. Trabalho Diligente
    Referência: Provérbios 10:4 - "A mão preguiçosa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece."

  2. Responsabilidade Pessoal
    Referência: Gálatas 6:5 - "Porque cada um levará o seu próprio fardo."

  3. Honrar Compromissos
    Referência: Mateus 5:37 - "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não. O que passar disto é de procedência maligna."

  4. Evitar Ociosidade
    Referência: 2 Tessalonicenses 3:10 - "Quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma."


Capítulo 11: Moralidade e Sexualidade

  1. Pureza Sexual
    Referência: 1 Tessalonicenses 4:3 - "Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição."

  2. Fidelidade Conjugal
    Referência: Hebreus 13:4 - "Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; pois Deus julgará os impuros e adúlteros."

  3. Evitar Comportamentos Imorais
    Referência: 1 Coríntios 6:9-10 - "Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus."

  4. Respeito ao Corpo
    Referência: 1 Coríntios 6:19 - "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?"


Capítulo 12: Relacionamentos e Comunidade

  1. Amor ao Próximo
    Referência: João 13:34 - "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vos ameis uns aos outros."

  2. Resolução de Conflitos
    Referência: Mateus 18:15 - "Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão."

  3. Serviço ao Próximo
    Referência: Gálatas 5:13 - "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; somente não useis a liberdade para dar ocasião à carne, mas por amor servios uns aos outros."

  4. Hospitalidade e Acolhimento
    Referência: Hebreus 13:2 - "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saber, hospedaram anjos."


Capítulo 13: Disciplina e Correção

  1. Disciplina Paternal
    Referência: Provérbios 3:12 - "Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem."

  2. Correção Amorosa
    Referência: Gálatas 6:1 - "Irmãos, se também alguém for surpreendido em alguma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; cuidando de ti mesmo, para que não sejas também tentado."

  3. Educação Espiritual
    Referência: Deuteronômio 6:7 - "E as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te."

  4. Correção dos Filhos
    Referência: Provérbios 29:17 - "Corrige teu filho, e te dará descanso; dará delícias a tua alma."


Capítulo 14: Práticas Espirituais e Virtudes

  1. Oração e Meditação
    Referência: Filipenses 4:6 - "Não estejais inquietos por coisa alguma, antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ações de graças."

  2. Jejum e Arrependimento
    Referência: Mateus 6:16 - "Quando jejuardes, não vos mostreis contristados, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão."

  3. Estudo das Escrituras
    Referência: 2 Timóteo 3:16 - "Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça."

  4. Vivência dos Frutos do Espírito
    Referência: Gálatas 5:22-23 - "Mas o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; contra estas coisas não há lei."


Capítulo 15: Testemunho e Missão

  1. Testemunho da Fé
    Referência: Atos 1:8 - "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."

  2. Evangelização e Missão
    Referência: Mateus 28:19-20 - "Ide, pois, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho mandado."

  3. Vida de Testemunho
    Referência: 1 Pedro 2:12 - "Mantende entre os gentios uma conduta honesta, para que, naquilo em que falam contra vós outros como de malfeitores, observando as vossas boas obras glorifiquem a Deus no dia da visitação."

  4. Impacto Positivo na Sociedade
    Referência: Mateus 5:16 - "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus."

Introdução à Legislação Nazarena (cristã): Princípios de Fé e Conduta 

Código de Leis


Capítulo I: Princípios Fundamentais

Art. 1º - Crença em Deus

1.1. A crença na existência e soberania de Deus é fundamental para a fé. Os crentes devem adorar somente a Deus, que é o Pai (João 17:3; 1 Coríntios 8:6).

1.2. Deus é referenciado como "Deus e Pai de nosso Senhor Yeshua" (2 Coríntios 1:3).

Art. 2º - Crença em Yeshua como o Messias

2.1. Yeshua (Jesus) é reconhecido como o Messias, o Filho de Deus, e Salvador prometido (Mateus 16:16; João 20:31).

2.2. A crença na divindade e na missão redentora de Yeshua é essencial para a fé cristã.

Capítulo II: Proibição da Idolatria

Art. 3º - Idolatria

3.1. A prática da idolatria é proibida. Os crentes devem evitar qualquer forma de adoração a deuses falsos ou ídolos e adorar somente a Deus (Êxodo 20:3-4; 1 Coríntios 10:14).

Capítulo III: Diretrizes Alimentares

Art. 4º - Carne Sacrificada a Ídolos

4.1. É proibida a ingestão de carne sacrificada a ídolos, pois está associada à idolatria e impureza espiritual. Os crentes devem evitar alimentos oferecidos a ídolos (Atos 15:29; 1 Coríntios 8:4).

Art. 5º - Carne Sufocada

5.1. A carne de animais que foram sufocados é proibida. Apenas a carne de animais abatidos de acordo com os preceitos de Kashrut é permitida (Levítico 17:13-14; Deuteronômio 12:16).

Art. 6º - Ingestão de Sangue

6.1. A ingestão de sangue é estritamente proibida. Os crentes devem abster-se de consumir sangue de qualquer forma (Levítico 17:10-14; Atos 15:29).

Art. 7º - Animais Impuros

7.1. Animais considerados impuros, conforme descrito na Torá, permanecem impuros. O episódio de Atos 10 é interpretado como uma alusão à aceitação dos gentios e não como revogação das leis dietéticas (Levítico 11:1-47; Atos 10:14-15).

Capítulo IV: Cobertura da Cabeça

Art. 8º - Cobertura das Mulheres

8.1. As mulheres casadas devem cobrir a cabeça em público e durante a oração como sinal de modéstia e respeito. A cobertura da cabeça é um símbolo de autoridade e conformidade com as normas de modéstia (1 Coríntios 11:5-6).

Art. 9º - Cobertura dos Homens

9.1. Os homens não devem cobrir a cabeça durante a oração ou adoração, pois são a imagem e a glória de Deus. A prática de não cobrir a cabeça durante atos religiosos é baseada nas orientações das Escrituras (1 Coríntios 11:7-10).

Capítulo V: Vestuário e Distinção

Art. 10º - Vestuário

10.1. Assim como Deus ordenou a Israel o uso de roupas com franjas e que os homens não raspassem a barba nem cortassem o cabelo arredondado (Números 15:38-39; Levítico 19:27), os cristãos devem se vestir de forma decente e distinta para refletir dignidade e evitar semelhança com os pagãos (Deuteronômio 22:5).

Capítulo VI: Moralidade Sexual e Ética

Art. 11º - Prostituição

11.1. A prática da prostituição é proibida. Considera-se uma violação dos princípios de pureza e santidade (Levítico 19:29; 1 Coríntios 6:15-16).

Art. 12º - Fornicação

12.1. A fornicação, ou relações sexuais fora do casamento, é proibida. O relacionamento sexual deve ser reservado para o casamento (1 Coríntios 6:18; Hebreus 13:4).

Art. 13º - Feitiçaria

13.1. A feitiçaria e quaisquer práticas ocultas são proibidas. Considera-se uma violação dos princípios de fé e confiança em Deus (Êxodo 22:18; Gálatas 5:19-21).

Capítulo VII: Diretrizes para Abate de Animais

Art. 14º - Abate de Animais

14.1. O abate dos animais deve ser realizado de acordo com os princípios estabelecidos de Kashrut, garantindo que o processo seja humano e respeitoso (Deuteronômio 12:21; Levítico 11:1-47).

Capítulo VIII: Comportamento e Conduta

Art. 15º - Gula e Bebedeira

15.1. Gula: A gula é condenada. Os crentes devem praticar moderação em relação ao consumo de alimentos e bebidas (Provérbios 23:20-21; Gálatas 5:19-21).

15.2. Bebedeira: A bebida alcoólica não é proibida, mas a bebedeira é condenada. Os crentes devem evitar o consumo excessivo e manter o autocontrole (Efésios 5:18; Provérbios 20:1).

Art. 16º - Mentira

16.1. A mentira é proibida. Os crentes devem falar a verdade e agir com integridade em todas as circunstâncias (Êxodo 20:16; Efésios 4:25).

Art. 17º - Fofoca e Maledicência

17.1. A fofoca e a maledicência são proibidas. Os crentes devem evitar falar mal dos outros e manter a comunicação respeitosa e construtiva (Levítico 19:16; Tiago 4:11).

Art. 18º - Preguiça

18.1. A preguiça é condenada. Os crentes devem trabalhar diligentemente e usar o tempo de maneira produtiva, de acordo com os princípios de responsabilidade e trabalho (Provérbios 6:6-11; 2 Tessalonicenses 3:10).

Capítulo IX: Relacionamento com Deus e Fé

Art. 19º - Negar a Deus

19.1. Negar a existência de Deus é proibido. Os crentes devem reconhecer e adorar a Deus, mantendo a fé e a lealdade (Salmo 14:1; 1 João 2:22-23).

Art. 20º - Negar que Yeshua é o Messias

20.1. Negar que Yeshua (Jesus) é o Messias, o Filho de Deus, é uma violação da fé cristã. A crença na divindade e na missão redentora de Yeshua é central para a fé cristã (Mateus 16:16; 1 João 5:1).

Capítulo X: Instituições e Sociais

Art. 21º - Casamento

21.1. O casamento é uma instituição sagrada e deve ser celebrado de acordo com os princípios de fidelidade, respeito e amor mútuo. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher (Gênesis 2:24; Hebreus 13:4).

Art. 22º - Órfãos

22.1. Os direitos e o bem-estar dos órfãos devem ser protegidos. A sociedade deve assegurar que os órfãos recebam cuidados adequados e apoio (Êxodo 22:22; Tiago 1:27).

Art. 23º - Viúvas

23.1. As viúvas devem ser tratadas com dignidade e respeito. A comunidade deve garantir que as viúvas recebam suporte e assistência (1 Timóteo 5:3-4; Salmo 68:5).

Art. 24º - Direitos dos Estrangeiros

24.1. Os estrangeiros devem ser tratados com justiça e respeito. Os crentes devem garantir que os direitos dos estrangeiros sejam respeitados e que eles sejam integrados de forma justa na sociedade (Levítico 19:34; Deuteronômio 10:19).

Art. 25º - Dois Pesos e Duas Medidas

25.1. O uso de dois pesos e duas medidas é proibido. A justiça deve ser imparcial e consistente, sem discriminação ou favoritismo (Levítico 19:36; Provérbios 20:10).

Capítulo XI: Observância do Sábado e Pureza

Art. 26º - Sábado

26.1. O sábado deve ser observado como um dia de descanso e adoração. É um dia separado para a reflexão espiritual, o descanso e a conexão com Deus (Êxodo 20:8-11; Marcos 2:27).

Art. 27º - Leis de Impureza

27.1. As leis de impureza devem ser respeitadas conforme descrito nas Escrituras. Os crentes devem observar os rituais de purificação e manter a pureza espiritual e física (Levítico 15:31; Hebreus 9:13-14).

Art. 28º - Obediência dos Estrangeiros às Leis de Israel

28.1. Quando um estrangeiro estiver no meio do povo de Israel, deve obedecer às mesmas leis que os israelitas. Deus ordena que o estrangeiro seja tratado com igualdade e deve seguir as leis que regem a comunidade de Israel (Êxodo 12:49; Levítico 24:22; Números 15:15-16).

28.2. Os estrangeiros (gentios) que foram enxertados em Israel, como descrito em Romanos 11:17-18, estão agora no meio do povo de Israel e, portanto, devem obedecer às mesmas leis. Contudo, esta obediência deve ser voluntária e não obrigatória, refletindo a inclusão e a integração em uma comunidade de fé (Efésios 2:19-22).

28.3. As leis mencionadas são para garantir justiça e a manutenção da pureza espiritual e moral da comunidade. Não obstante, a adesão completa às leis não deve ser imposta, respeitando a liberdade de cada crente.

Capítulo XII: Obediência e Responsabilidade Comunitária

Art. 29º - Obediência e Honra aos que Ensinam a Palavra de Deus

29.1. Os crentes devem mostrar obediência e honra aos que ensinam a palavra de Deus. Aqueles que dedicam suas vidas ao ensino e à orientação espiritual merecem respeito e reconhecimento (1 Timóteo 5:17; Hebreus 13:7).

Art. 30º - Ajuda aos Famintos e Pequenos

30.1. Os crentes são chamados a ajudar os famintos e os necessitados. Assim como Yeshua ensinou que, ao ajudar a alguém em necessidade, estamos fazendo isso a Ele (Mateus 25:35-40), a assistência aos pobres e pequenos é um reflexo da verdadeira compaixão e serviço cristão.

Capítulo XIII: Responsabilidades e Conduta Ética

Art. 31º - Estudo da Torá e Ensino aos Filhos 

31.1. Os crentes são instruídos a estudar a Torá, meditar em suas palavras e ensiná-la aos seus filhos. Este compromisso com o estudo e a transmissão dos princípios bíblicos deve ser uma prática constante e intencional (Deuteronômio 6:6-7; Salmo 1:2).

Art. 32º - Oração pelos Pecadores e Justos

32.1. Os crentes devem orar por aqueles que cometem pecado, buscando interceder em favor de sua redenção e arrependimento, desde que o pecado não seja considerado "pecado para a morte" (Tiago 5:16).

32.2. É proibido orar por aqueles que cometem pecado que leva à morte, conforme descrito no Antigo Testamento. Pecados para a morte são aqueles que resultam em condenação direta, como a idolatria, a blasfêmia, a violação grave das leis de Deus, e os crimes que envolvem a execução de sentença pela lei de Deus. Estes pecados são considerados tão graves que a intercessão em favor deles não é eficaz (Êxodo 22:20; Levítico 24:16; Deuteronômio 13:6-10; 17:2-5).

32.3. Também é importante orar pelos justos e por aqueles que vivem em conformidade com os princípios de Deus, para que sejam fortalecidos e continuem firmes na fé (Filipenses 1:3-5).

Art. 33º - Conduta com o “Irmão que Finge Ser Irmão” 

33.1. Se alguém se identifica como irmão na fé, mas suas ações contradizem os princípios cristãos, não se deve associar com tal pessoa, especialmente em refeições, que são uma forma de comunhão e amizade (1 Coríntios 5:11; 2 João 1:10).

Art. 34º - Relações Sexuais e Proibições 

34.1. É proibido ter relações sexuais com animais. Tal prática é considerada uma violação grave das leis de pureza (Levítico 18:23; Deuteronômio 27:21). 

34.2. É proibido ter relações sexuais com a mulher de seu pai, que é equivalente a ter relações com o homem de sua mãe, ou com a mulher de seu irmão, que é o mesmo que ter relações com o homem de sua irmã (Levítico 18:7-8; Levítico 18:16). 

34.3. A prática da homossexualidade é proibida. O comportamento sexual deve ser mantido dentro dos parâmetros estabelecidos nas Escrituras (Levítico 18:22; Romanos 1:26-27).

Art. 35º - Proibição de Ver Outra Pessoa Nua 

35.1. É proibido ver outra pessoa nua sem seu consentimento. A privacidade e a dignidade de cada indivíduo devem ser respeitadas (Êxodo 20:26; Deuteronômio 23:14).

Art. 36º - Empréstimos e Juros 

36.1. Não se deve emprestar dinheiro a juros ao seu irmão, ou seja, a uma pessoa da mesma religião ou comunidade, como uma forma de preservar a justiça e a solidariedade entre os crentes (Êxodo 22:25; Levítico 25:35-37). 

36.2. No entanto, não há impedimento para emprestar a outras pessoas, especialmente àquelas fora da comunidade religiosa, conforme as necessidades e práticas de mercado (Deuteronômio 23:20).


Continua...


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