terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Estude a Bíblia conosco ao longo de um ano


 1º Trimestre: A Conquista de Canaã e a Aliança de YHWH

  1. Yehoshua 1:1-9A Promessa e o Comissionamento de Yehoshua (Josué)

    • A sucessão de Moshé (Moisés) e a confiança em YHWH para conquistar a terra prometida. A liderança e a obediência.
  2. Yehoshua 2:1-24Raabe e a Salvação para os Gentios

    • O papel de Raabe, uma gentia, na linhagem messiânica, e a inclusão dos gentios no plano de YHWH.
  3. Yehoshua 3:1-17A Travessia do Jordão

    • O papel da fé e da obediência na entrada na terra prometida e a renovação da aliança.
  4. Yehoshua 5:1-15A Páscoa na Terra Prometida

    • A renovação das práticas e da aliança de YHWH com Seu povo, incluindo o rito de circuncisão e a Páscoa.
  5. Yehoshua 6:1-27A Queda de Jericó

    • A obediência a YHWH traz a vitória sobre o inimigo. A importância da fé em YHWH para a conquista espiritual.
  6. Yehoshua 7:1-26O Pecado de Acã

    • A seriedade do pecado na comunidade de YHWH e a importância de manter a santidade.
  7. Yehoshua 8:1-29A Vitória sobre Ai

    • Como a fé e a estratégia de YHWH resultam em vitória. Lições sobre arrependimento e obediência.
  8. Yehoshua 9:1-27A Enganação dos Gibeonitas

    • O ensino sobre discernimento e a importância de buscar a orientação de YHWH.
  9. Yehoshua 10:1-15A Batalha Contra os Reis do Sul

    • O poder sobrenatural de YHWH para defender Seu povo e cumprir Suas promessas.
  10. Yehoshua 24:1-15A Renovação da Aliança em Siquém

    • O compromisso de seguir a YHWH, renovando a aliança com o povo de Israel.
  11. Juízes 2:16-23O Ciclo de Apostasia e Redenção

    • A história do ciclo de pecado, arrependimento e redenção, refletindo a necessidade da obediência a YHWH.
  12. Juízes 3:7-11O Juiz Otoniel

    • A primeira libertação de Israel sob um juiz, mostrando como YHWH levanta líderes para restaurar o povo.

2º Trimestre: Os Profetas e o Chamado à Obediência

  1. 1 Shemuel 8:4-22O Pedido de um Rei

    • O povo de Israel deseja um rei, em vez de confiar na liderança de YHWH. Como isso aponta para o Messias como Rei eterno.
  2. 1 Shemuel 16:1-13A Unção de Davi

    • A escolha de Davi como rei, representando o futuro Messias, que viria da linhagem de Davi.
  3. 2 Shemuel 7:8-16A Promessa do Reino Eterno a Davi

    • A aliança com Davi e a promessa de um descendente eterno. Esta promessa é cumprida em Yeshua, o Messias.
  4. 1 Reis 8:22-30A Oração de Shlomo

    • O pedido de sabedoria de Salomão e a dedicação do Templo, apontando para o templo espiritual em Yeshua.
  5. Yesha-Yahu 9:1-7O Príncipe da Paz

    • A profecia sobre o Messias que viria para estabelecer a paz e a justiça, cumprida em Yeshua.
  6. Yesha-Yahu 53O Servo Sofredor

    • A descrição do Messias que sofrerá pelos pecados do povo, claramente cumprida em Yeshua.
  7. Yirmi-Yahu 23:1-8O Justo Ramo de Davi

    • A promessa de um rei justo que viria da linhagem de Davi, cumprida em Yeshua como o Messias.
  8. Yehezkel (Ezequiel) 34:11-16O Bom Pastor

    • A promessa de que YHWH será o bom pastor que buscará e restaurará as Suas ovelhas perdidas, apontando para Yeshua como o bom pastor.
  9. Amós 9:11-15Restauração de Israel

    • A promessa de restauração para Israel, que será cumprida com a vinda do Messias e o Reino de Deus.
  10. Mikah-yahu (Miquéias) 5:2-5O Nascimento do Governante de Israel

    • A profecia sobre o nascimento do Messias em Belém, cumprida em Yeshua.
  11. Zekharyah (Zacarias) 9:9-10O Rei Justo e Humilde

    • A entrada triunfal de Yeshua em Jerusalém, cumprindo a profecia de Zekharyah .
  12. Mal'akhi (Malaquias) 3:1-5A Vinda do Mensageiro

    • A vinda de um mensageiro para preparar o caminho do Messias, cumprido por João Batista e Yeshua.

3º Trimestre: O Ministério de Yeshua

  1. Matit-Yahu (Mateus) 1:18-25O Nascimento de Yeshua

    • O cumprimento das profecias messiânicas, incluindo o nascimento virginal.
  2. Matit-Yahu 5:1-12As Bem-Aventuranças

    • O ensino de Yeshua sobre os valores do Reino de Deus, invertendo as expectativas humanas.
  3. Matit-Yahu 6:9-13O Pai Nosso

    • A oração modelo de Yeshua, com foco em uma relação íntima com o Pai e a vinda do Seu Reino.
  4. Matit-Yahu 10:16-39A Missão dos Discípulos

    • A missão evangelística dos discípulos, incluindo os desafios de ser um seguidor de Yeshua.
  5. Matit-Yahu 13:24-43Parábolas do Reino

    • Ensinos de Yeshua sobre o Reino de Deus e como ele se manifesta no mundo presente.
  6. Matit-Yahu 16:13-20A Confissão de Pedro

    • A revelação de Yeshua como o Messias, Filho do Deus vivo, e a fundação da comunidade messiânica.
  7. Matit-Yahu 17:1-9A Transfiguração de Yeshua

    • A revelação da glória divina de Yeshua, confirmando Sua identidade messiânica.
  8. Yochanan (João) 3:1-21O Novo Nascimento

    • O ensinamento sobre a necessidade de nascer de novo, espiritualmente, para ver o Reino de Deus.
  9. Yochanan 4:7-26A Mulher Samaritana

    • O encontro de Yeshua com a mulher samaritana e a revelação de Sua identidade messiânica.
  10. Yochanan 10:11-18O Bom Pastor

    • Yeshua se apresenta como o Bom Pastor, que dá a Sua vida pelas ovelhas.
  11. Yochanan 14:1-6O Caminho, a Verdade e a Vida

    • Yeshua como o único caminho para o Pai, a verdade e a vida eterna.
  12. Yochanan 20:19-29A Ressurreição de Yeshua

    • A prova de Sua ressurreição, e a declaração de fé de Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!"

4º Trimestre: A Missão da Igreja e a Esperança no Reino de Deus

  1. Atos 1:6-11A Ascensão de Yeshua

    • A ascensão de Yeshua ao céu, prometendo Seu retorno.
  2. Atos 2:1-4O Pentecostes

    • O envio do Espírito Santo para capacitar a Igreja (Kehilah) a cumprir a missão de Yeshua.
  3. Atos 9:1-19A Conversão de Saulo

    • A transformação de Saulo em Paulo, um apóstolo das nações, e o impacto do evangelho entre os gentios.
  4. Romanos 8:18-25A Esperança da Glória Futura

    • A esperança escatológica de ser parte do Reino de Deus, aguardando a manifestação da glória futura.
  5. 1 Coríntios 15:12-22A Ressurreição dos Mortos

    • A centralidade da ressurreição na fé cristã e a vitória sobre a morte.
  6. Filipenses 3:20-21A Transformação do Corpo

    • A promessa da transformação dos corpos, aguardando a vinda de Yeshua.
  7. Hebreus 12:1-2Correndo a Corrida da Fé

    • A perseverança na fé, fixando os olhos em Yeshua, autor e consumador da nossa fé.
  8. Yakov 5:7-11A Paciência até a Vinda do Senhor

    • A paciência em meio às dificuldades, esperando a vinda de Yeshua para estabelecer Seu Reino.
  9. Apocalipse 1:9-20A Visão de Yeshua Glorificado

    • A revelação de Yeshua como o Alfa e o Ômega, a esperança do futuro Reino.
  10. Apocalipse 5:1-14O Cordeiro que Recebe o Reino

    • A adoração a Yeshua como o Cordeiro digno de abrir o livro e trazer o juízo e a salvação.
  11. Apocalipse 19:11-16O Retorno Triunfal de Yeshua

    • A volta de Yeshua como Rei dos reis e Senhor dos senhores para estabelecer Seu Reino eterno.
  12. Apocalipse 21:1-8A Nova Jerusalém

    • A promessa de um novo céu e uma nova terra, com a habitação de Deus entre os homens.
  13. Apocalipse 22:1-5A Árvore da Vida

    • A restauração total e a visão da vida eterna no Reino de Deus.
  14. Apocalipse 22:6-21A Vinda de Yeshua

    • O convite à esperança no retorno de Yeshua, que trará a conclusão da história da redenção.
  15. Apocalipse 22:6-21 – A Vinda Iminente de Yeshua e a Promessa de Sua Retorno

    • A promessa do retorno de Yeshua, que virá em breve para restaurar todas as coisas.

  16.   2 Kefa 3:8-13 – A Nova Terra e o Reino Eterno

    • A esperança escatológica da nova terra e do novo céu, onde a justiça habitará.

A Lei e a União entre Judeus e Gentios: A Exegese do Novo Testamento

 A Lei e a União entre Judeus e Gentios: A Exegese do Novo Testamento

O Novo Testamento apresenta um equilíbrio entre a continuidade da Lei e a inclusão dos gentios na aliança de D-us, especialmente a partir da obra de Yeshua. Alguns textos, como Gálatas 3:28 e Efésios 2:14-16, falam sobre a remoção das barreiras entre judeus e gentios, mas isso não significa que a Torá foi abolida em sua totalidade. A questão central no Novo Testamento, principalmente nas cartas de Shaul (Paulo), é a maneira como a Lei é cumprida em Yeshua, e como a fé no Messias abre a porta para a reconciliação entre diferentes povos, sem anular as práticas e os princípios da Torá.

A Lei e a Unidade entre Judeus e Gentios

Em Gálatas 3:28, Shaul escreve: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um no Messias Yeshua.” Muitas vezes, esse versículo é mal interpretado, como se a identidade étnica ou de gênero fosse irrelevante após a fé em Yeshua, mas o contexto não sugere que a Torá ou a distinção entre judeus e gentios foi abolida. Pelo contrário, Shaul está abordando a questão das separações sociais e culturais que existiam na sociedade judaica e na relação com os gentios. A Torá, de fato, fazia distinção entre judeus e gentios em questões cerimoniais, como as leis de pureza, os rituais no templo e a proibição de contato direto com gentios em certos contextos.

No entanto, Shaul está dizendo que, no Messias, essas divisões que separavam judeus e gentios não têm mais efeito, pois ambos têm acesso à mesma promessa de salvação e vida eterna. A fé Nazarena, na verdade, não se baseia em uma nova religião separada do judaísmo, mas na continuidade e cumprimento da Torá em Yeshua. A fé em Yeshua, sendo o Messias prometido de Israel, é, na verdade, uma expressão mais profunda do judaísmo, e não algo contrário a ele. A fé no Messias e o judaísmo são, de fato, indivisíveis. A fé Nazarena, portanto, é uma continuidade do judaísmo, com a inclusão dos gentios na aliança de Deus, judeus sendo judeus e gentios sendo gentios, todos sendo crentes no Messias .

A união entre judeus e gentios é celebrada, mas sem a anulação das identidades ou da Lei. No entanto, os gentios precisam entender seu lugar no plano da salvação. Não se trata de substituir o povo judeu ou tentar apagar sua identidade ou papel no plano de D-us, como se agora fossem "os novos judeus". Essa visão é distorcida e desrespeitosa. No Messias, judeus e gentios são um, mas isso não implica que os gentios devam "gentilizar" os judeus ou tentar transformar o judaísmo em algo que se assemelha à sua própria cultura ou práticas. Cada povo tem sua identidade única, e os gentios precisam respeitar o lugar especial que Israel ocupa no plano divino, sem tentar apagar essa identidade.

Efésios 2:14-16 esclarece isso quando diz: “Pois ele é a nossa paz, que de ambos fez um, e derrubou a parede de separação, a hostilidade, abolindo na sua carne a lei dos mandamentos expressos em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz.” Nesse texto, Shaul refere-se à separação cerimonial que existia entre judeus e gentios, uma separação que estava enraizada em mandamentos cerimoniais, como as leis alimentares, as leis de pureza e a exclusão dos gentios do templo. O que Shaul afirma é que Yeshua, ao cumprir a Lei, destruiu essas barreiras, permitindo que gentios e judeus sejam reconciliados com D-us, e entre si, sem as distinções cerimoniais que antes existiam.

A abolição dessas barreiras cerimoniais não significa a abolição da Torá ou que a Lei não é mais relevante. Pelo contrário, o cumprimento dos mandamentos morais da Torá continua a ser um fundamento para a vida cristã, agora vivida pela graça e no Espírito, e não de acordo com as obras da carne.

O Batismo como Imersão: A Purificação e o Novo Pacto em Yeshua

Em relação ao batismo mencionado nos textos gregos, é fundamental entender que a palavra "batismo" é, na verdade, uma tradução do termo grego “báptisma”, que significa imersão ou mergulho. Essa prática tem raízes profundas no judaísmo, onde a imersão era usada como um rito de purificação. Na Torá e na tradição judaica, quando alguém estava impuro – seja por razões cerimoniais ou morais – era necessário passar por um processo de imersão, também conhecido como mikvá, para restaurar a pureza e a santidade diante de D-us.

O batismo de Yeshua não são uma invenção ou uma novidade no contexto religioso, mas uma continuação dessa prática judaica de purificação. A diferença crucial, no entanto, é que, em Yeshua, há somente uma imersão, que é suficiente para purificar o crente e estabelecer sua nova identidade como filho de D-us e membro do corpo do Messias.

O imersão de Yeshua não é uma repetição contínua de rituais de purificação, como acontecia antes de Yeshua e ainda acontece no judaísmo sem Yeshua, mas sim um ato simbólico e definitivo. No Messias, a imersão não é apenas um rito de purificação, mas uma identificação com a morte, sepultamento e ressurreição de Yeshua. Isso significa que, ao ser imerso, o crente não está apenas sendo purificado cerimonialmente, mas está sendo integrado ao novo pacto, em que a graça de D-us é derramada sobre ele, sem a necessidade de continuar a seguir alguns rituais cerimoniais do Antigo Testamento.

Hebreus 10:22 fala sobre isso, dizendo: "Aproximemo-nos de D-us com um coração sincero e com plena certeza de fé, tendo os corações purificados de uma má consciência e o corpo lavado com água pura." Aqui, a "água pura" se refere a uma imersão simbólica que representa a purificação total que ocorre no novo pacto por meio de Yeshua.

Portanto, o batismo, ou imersão, em Yeshua, não é algo a ser repetido para a purificação contínua, como nas práticas judaicas anteriores, mas um único ato que simboliza a total entrega ao Messias e a restauração completa da relação com D-us.

O Caso de Cornélio: A Lei que Divide os Gentios

Em Atos 10, vemos um evento crucial na história da Igreja primitiva: a visita de Kefa (Pedro) à casa de Cornélio, um centurião romano e gentio. Antes dessa visita, a Lei judaica proibia que judeus entrassem em casas de gentios, considerando-os impuros. Essa separação cerimonial é abordada diretamente quando, em uma visão, Kefa (Pedro) recebe uma mensagem divina dizendo: “Não chames impuro ao que Deus purificou.” (Atos 10:15). O que Kefa compreende nessa visão é que a barreira cerimonial que impedia os judeus de se associar aos gentios foi removida pela morte e ressurreição de Yeshua.

Isso não significa que a Torá foi abolida ou que os gentios agora deveriam deixar de seguir qualquer princípio moral que a Torá ensinava. Pelo contrário, a visão de Kefa revela que a Lei cerimonial, que distinguia judeus e gentios, foi cumprida no Messias, permitindo que os gentios fossem incluídos no pacto de salvação sem a necessidade de cumprir os rituais de purificação judaicos. O ponto central aqui não é a anulação da Torá, mas a remoção das barreiras cerimoniais que separavam os gentios dos judeus.

A Implicação de uma Interpretação Errada da Inclusão dos Gentios

Se interpretássemos Gálatas 3:28 e outros textos como se a identidade judaica tivesse sido anulada pela fé em Yeshua, poderíamos cair no erro de entender que qualquer distinção cultural ou identidade não seria mais relevante. Essa leitura poderia, inclusive, ser usada para justificar a eliminação de outras distinções morais e sociais, como a diferença entre homens e mulheres ou entre comportamentos morais e imorais, como o caso do homossexualismo. Contudo, isso seria uma interpretação equivocada do texto. Shaul, ao falar sobre a inexistência de judeu nem grego, homem ou mulher, não está dizendo que a Lei de Deus foi abolida ou que as identidades de gênero ou étnicas não importam mais, mas sim que a barreira social e cerimonial entre judeus e gentios foi quebrada no Messias. A fé em Yeshua unifica todos os crentes, independentemente de sua origem, e os torna participantes iguais nas promessas de D-us, mas isso não significa que as identidades culturais ou as normas morais da Torá foram descartadas.

A inclusão dos gentios, como evidenciado pelo exemplo de Cornélio e a visão de Kefa, mostra que os gentios são chamados a se integrar à aliança de D-us sem a necessidade de adotar todas as práticas cerimoniais exclusivas dos judeus. No entanto, isso não significa que eles não devem viver de acordo com os princípios morais da Torá, que continuam sendo a expressão da vontade de D-us para a humanidade.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

O Messias e o Cristo

     A compreensão do Messias (ou Mashiac) no cristianismo e no judaísmo messiânico é profundamente influenciada pela visão sobre a encarnação e a natureza do próprio Messias. No cristianismo, a ideia de que o Messias é Deus encarnado é fundamental. Os cristãos creem que Jesus (Yeshua) é o Messias, que se fez carne e habitou entre os homens. Para eles, o Messias não é apenas um líder humano descendente de Davi, mas Deus Filho, que se fez humano para trazer a salvação para a humanidade. A encarnação de Deus Filho é vista como um ato divino único, necessário para cumprir as profecias messiânicas, como o salvador prometido, que não apenas vem de Davi, mas é também plenamente divino e plenamente humano.

O Messias no Cristianismo: A Encarnação de Deus Filho

    No cristianismo, a encarnação é um evento central, conforme expresso em textos do Novo Testamento, como João 1:14, onde se afirma que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós". Essa doutrina ensina que o Messias, em sua natureza divina, escolheu assumir um corpo humano, sendo totalmente divino e totalmente humano ao mesmo tempo. A razão para isso é que, de acordo com a crença cristã, apenas Deus poderia oferecer a salvação perfeita, e para cumprir a lei e os sacrifícios, ele precisaria assumir uma forma humana. Dessa forma, Jesus, como Messias, cumpre todas as profecias que falam de um líder descendente de Davi, mas, ao mesmo tempo, ele é também o próprio Deus, que se faz presente na história humana para trazer redenção.

O Messias para os Judeus Messiânicos: Uma Existência Pré-Encarnada

    Já no judaísmo messiânico, que segue a visão cristã de que Jesus é o Messias, há uma compreensão similar da pré-existência do Messias, mas sem a ideia de que ele seria "Deus Filho" encarnado de forma literal. Para os judeus messiânicos, o Messias já existia antes de sua manifestação no mundo físico. Essa perspectiva se baseia na crença de que o Messias é uma entidade celestial que, em algum momento, se revela de forma tangível e humana. Ele não precisa de um corpo humano para existir, mas escolhe assumir um, como parte do plano divino de salvação. Essa visão está mais próxima da ideia de que o Messias é uma manifestação divina, não necessitando da encarnação de Deus em si, mas ainda assim vindo ao mundo para cumprir as profecias.

    O conceito de um Messias pré-existente, que já existia antes de sua manifestação física, está em consonância com certas interpretações do judaísmo, como a ideia de que o Messias tem uma origem celestial. A ideia de que o Messias existe antes de encarnar está ligada a algumas tradições cabalísticas, que veem o Messias como uma figura cósmica, com uma ligação profunda ao mundo espiritual.

A Visão Cabalística do Messias no Zohar

    No Zohar, um dos textos fundamentais da Cabala, o Messias é visto de forma bastante diferente daquela encontrada nas escrituras tradicionais. No Zohar, o Messias é descrito como uma figura pré-existente e espiritual, que desempenha um papel vital na restauração da harmonia cósmica e na redenção do mundo. Essa visão é em grande parte baseada em uma compreensão do Messias como uma entidade celestial que não depende de uma forma humana para existir ou cumprir sua missão.

No Zohar, há diversas passagens que fazem referência ao Messias, algumas das quais indicam sua natureza transcendente e seu papel eterno:

  1. Zohar 1:119a – O Zohar fala sobre o Messias como uma figura central no processo de redenção. Ele é descrito como o “Filho da Mulher” (referência a Isaías 7:14, que fala de uma virgem que conceberia um filho), simbolizando sua conexão com o mundo material e sua missão de restaurar a humanidade.

  2. Zohar 2:92b – Aqui, o Zohar afirma que o Messias tem uma origem celestial e está intimamente relacionado ao Eterno. Ele não é apenas uma figura humana, mas uma manifestação do divino que vem ao mundo para restaurar a harmonia do universo.

  3. Zohar 3:168b – O Zohar também fala sobre a chegada do Messias como uma chave para a redenção universal, onde o Messias é descrito como uma luz espiritual, capaz de trazer a salvação para o povo de Israel e para o mundo inteiro. Ele é descrito como a figura que “revela o segredo da criação” e, portanto, não é limitado a uma encarnação física simples.

Conclusão

    
Para os cristãos, o Messias é a encarnação de Deus Filho, que se faz humano para trazer salvação à humanidade, cumprindo as profecias messiânicas de ser descendente de Davi. Para os judeus messiânicos, embora haja um reconhecimento de que o Messias é da linhagem de Davi, há também a crença de que ele já existia antes de sua manifestação física, uma visão mais alinhada com o pensamento cabalístico, onde o Messias é entendido como uma figura celestial que se revela de maneira tangível para cumprir a redenção. Esse entendimento pode ser refletido em textos do Zohar, que enfatizam a natureza cósmica e pré-existente do Messias, destacando que ele é uma figura espiritual, com um papel transcendental que vai além de uma simples encarnação humana.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

A assimilação cultural que levou a crenca no messias, para a crença no deus filho, segunda pessoa da Trindade


 As pessoas precisam refletir sobre as profundas mudanças que ocorreram na fé no Mashiach desde sua origem humilde, nas terras de Israel, até sua expansão para o mundo gentio. Essa reflexão não busca desonrar o zelo de ninguém, mas trazer à luz um questionamento que é, ao mesmo tempo, histórico e espiritual.

O Mashiach, prometido nas Escrituras, veio como libertador de Israel, cumprindo as profecias e restaurando a esperança de um povo que aguardava redenção. Suas palavras e ações estavam enraizadas na Torá e nos ensinamentos dos profetas. No entanto, com o passar do tempo, a fé no Mashiach atravessou as fronteiras de Israel e adentrou o vasto Império Romano, onde sofreu transformações profundas, que afastaram muitas de suas características originais.

Observemos, pois, o que ocorreu. A fé no Mashiach, que era uma crença judaica, moldada pelos costumes e mandamentos de Israel, foi aos poucos adaptada aos costumes de povos que desconheciam a Torá e a tradição dos profetas. Ao invés de abraçar a riqueza das Escrituras hebraicas, houve uma substituição de práticas e ensinamentos. O Shabat, sinal da aliança de Deus com Israel, foi trocado pelo domingo. As festas bíblicas, que apontavam para os atos redentores do Criador, foram substituídas por celebrações que refletiam mais as tradições romanas do que os preceitos de Moisés.

Além disso, a figura do Mashiach foi transformada em "Cristo", um título helenístico que, embora legítimo em sua etimologia, foi revestido de significados que se distanciaram do contexto judaico. O conceito de um Messias que governaria com justiça e restauraria Israel foi alterado, tornando-se, em muitos casos, uma figura abstrata e desconectada das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.

Devemos, portanto, questionar: como uma fé profundamente judaica se tornou uma religião tão distinta de suas origens? Teria sido este um caso de sincretismo, onde os elementos da fé bíblica foram mesclados e, em alguns casos, suprimidos para se ajustar à cultura dominante do Império? E, ao fazer isso, não teria ocorrido uma espécie de colonização espiritual, onde a essência da mensagem foi substituída por tradições estranhas à Torá?

Estas perguntas não buscam dividir, mas sim trazer à consciência a necessidade de retornar às raízes da fé. Pois o Mashiach não veio para abolir a Torá ou os Profetas, mas para cumpri-los e, através disso, trazer luz às nações. Sua mensagem nunca foi de rejeição ao povo de Israel ou à sua aliança com Deus, mas de expansão dessa aliança, para que todos pudessem ser enxertados na oliveira espiritual.

Portanto, irmãos e irmãs, que possamos examinar as Escrituras e as tradições que recebemos. Que busquemos discernir o que vem do Criador e o que foi moldado por mãos humanas. Pois o verdadeiro Mashiach não precisa de aprovação de homens ou de instituições terrenas. Ele é aprovado pelo Pai, e sua missão é restaurar todas as coisas, começando pela casa de Israel.

Que a graça e a paz estejam convosco enquanto buscamos a verdade.

A Organização da Igreja nos Primeiros Séculos

  A Organização da Igreja nos Primeiros Séculos Nos primeiros séculos do cristianismo, a Igreja desenvolveu sua estrutura de maneira gradual...